Cultura

Dancinhas do TikTok garantem números para artistas, entenda como elas são feitas

Por Thais Perez |
| Tempo de leitura: 3 min
Anitta
Anitta

Antes de chegar ao topo das paradas nacionais e internacionais, a música "Envolver", de Anitta, já estava fazendo sucesso no aplicativo de vídeos curtos TikTok. Atualmente, mais de dois milhões e meio vídeos com a trilha sonora da brasileira existem na plataforma, de pessoas de todo o mundo tentando reproduzir a coreografia de Anitta.

O sucesso de "Envolver" de Anitta contou principalmente com a dança como elemento principal. Isso porque as "dancinhas" são uma fórmula de sucesso para qualquer hit pop atual: seu desenvolvimento garante ensaio, reprodução, exaustão e desafio.

A existência de uma coreografia faz com que o influenciador ou usuário comum escute a música repetidas vezes antes de postar a dança completa nas redes. Quem vê o vídeo, quer tentar. É um ciclo de verdadeira viralização, uma jogada de marketing utilizada por Anitta de modo sagaz.

"O dia em que gravei a música, sabia que ia ser um sucesso", disse Anitta em entrevista ao Fantástico, na TV Globo. Ao explicar como dança funciona, o paço parece bem simples. É "só" fazer uma flexão de braço e rebolar ao mesmo tempo. Já tentou?

Simples ou não, todos os sucessos pop tem ganhado "dancinhas" para impulsionar seu sucesso, com movimentos fáceis e acessíveis. A graça é que todos possam participar da brincadeira e, consequentemente, levar o artista ao topo.

<pstyle:ct\_2>Não é só no pop que as coreografias reinam. O funk, que sempre foi caracterizado pela dança, reina entre as dancinhas do TikTok. O sertanejo vem logo atrás, com coreografias que contaminaram as pistas de dança em todo o país. Contudo, a longevidade dessas coreografias é baixa. Uma "trend" não dura mais do que dois meses, podendo desaparecer e dar lugar a outras em menos tempo do que esperado. Por isso, as coreografias precisam ser pensadas de modo rápido, planejadas para o "verticalismo" das redes, além de serem "ativadas" pelos influencers certos, o impacto precisa ser explosivo. Algo que parece simples, feito em poucos segundos, possui um planejamento complexo atrás das câmeras de celulares.

No TikTok, qualquer coisa pode viralizar em menos de 15 segundos, mas o desenvolvimento de uma coreografia pode ser mais complicado do que isso. A bailarina e coreógrafa joseense Lia Cará participa da produção de diversas danças que podem ser vistas em clipes e shows de artistas pop do momento.

Junto com o coreógrafo Júlio Verne, ela e uma equipe especializada já trabalharam com nomes como Luísa Sonza e Pabllo Vittar. Atualmente, o "squad" trabalha com a pernambucana Duda Beat e com a Cleo, atriz Cleo Pires, que tem se aventurado na música.

"Pensamos a coreografia de acordo com o propósito que ela vai servir, seja para show ou clipe", explica Lia.

Experiente nos palcos, Lia Cará começou sua carreira na academia da mãe, Cristina Cará. Já participou do ballet dos shows de Sandu e Júnior, do clipe "Buzina" da Pabllo Vittar, "Não Nega" de Mateus Carrilho, "Boa Menina" de Luísa Sonza, entre outros.

"Pensamos nas coreografias de acordo com a identidade e estilo de cada artista", explica ela, sobre o processo criativo de cada dança, que pode demorar de um até dois dias, com revisões.

"Para mim é muito prazeroso, gosto muito do trabalho que eu faço, principalmente fazer parte de todo o processo de fazer a coreografia até o momento final", finaliza a bailarina.

Desde que a música brasileira é música, a dança cumpre papel importante nela. Desde É o Tchan até Ludmilla, o brasileiro é suscetível a ser "mordido" pelo bichinho da dança. Não é difícil colocar as pessoas para dançar com um ritmo do momento. Basta ter um corpo: dançar é para todos.

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