Pandemia

Colucci julga liberação total de máscaras em SP como "pautada em calendário político, não ciência"

Por Patrick C. Santos |
| Tempo de leitura: 3 min
Prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci (PL)
Prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci (PL)

Mesmo que a contragosto, Toninho Colucci (PL), prefeito de Ilhabela, assinou o decreto 9.152 na tarde da última sexta-feira (18). O decreto flexibiliza o uso de máscaras de proteção facial em ambientes abertos e fechados do arquipélago, com exceção de todas as instituições de ensino.

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Pela decisão municipal, os estudantes da rede de ensino de Ilhabela, seja municipal, estadual ou até mesmo particular, devem continuar a utilizar as máscaras dentro de todas as salas de aula. Na regra geral ao estado, aprovada pelo governador João Doria na última quinta-feira (17), as escolas não constam como um ambiente onde a obrigatoriedade de máscaras é exigida.

A regra segue para transportes públicos e locais onde serviços de saúde são prestados, onde o uso de máscaras segue obrigatório.

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"Vamos analisar durante o período de 15 dias como será esta restrição e a partir daí poderemos tomar novas decisões, tanto para flexibilizar ou restringir, dependendo dos índices e avaliações do 'Comitê de Enfrentamento ao Covid-19' de Ilhabela", disse Colucci.

Em complemento, Colucci disse que terá muito cuidado ao ampliar a flexibilização. "Acho prematura a decisão de desobrigar o uso de máscaras em todos os ambientes", comentou. 

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Em crítica às decisões do governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), Colucci disse que "é preciso fazer uma abertura responsável, pautada na ciência e não no calendário político como alguns governantes fazem".

No último dia 15 de março, João Doria afirmou que deixará o cargo de governador de São Paulo no próximo dia 2 de abril para concorrer à corrida presidencial. De acordo com Doria, o estado ficará em "boas mãos" sob o comando de Rodrigo Garcia (PSDB), seu vice.

Argumentos

A Prefeitura de Ilhabela baseou-se na opinião de dois especialistas para seguir com a ideia de que a liberação do uso de máscaras em ambientes fechados não é ideal no momento.

A primeira voz é de Lorena Barberia, professora do Departamento de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo) e coordenadora científica da 'Rede de Pesquisa Solidária e pesquisadora do Observatório Covid-19' do Brasil.

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Em entrevista ao Jornal Nexo, Lorena disse que "a decisão do governador do Estado de São Paulo, João Dória, de desobrigar o uso de máscaras contra a Covid-19 em espaços fechados é precoce e passa a mensagem errada sobre o estado da pandemia".

Outro argumento articulado foi a opinião de Bergmann Morais Ribeiro, professor do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília, que, em entrevista à Agência Brasil, disse que não acredita que o momento é ideal para a flexibilização.

"Como o número de transmissões está diminuindo ao longo do tempo, a liberação em espaços abertos é algo natural. Mas, ainda não é o momento para espaços fechados. A variante ômicron é muito transmissível e há pessoas imunossuprimidas ou idosos que, se pegarem o vírus, mesmo vacinados, correm o risco de ser hospitalizados e ter a doença de forma grave", pontuou.

“A pandemia ainda não acabou. Existem outras variantes que surgiram, aumentando o número de infecções em algumas localidades, como Grã Bretanha, Hong Kong e China. Se não tomarmos cuidado, pode aparecer uma nova onda”, finalizou Bergmann, comparando a situação do Brasil com a de outros países.

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