A Prefeitura de São José dos Campos determinou a retirada em seu site de um material destinado a alunos da rede municipal que supostamente associaria a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao nazismo e à apologia aos crimes de estupro.
A Secretaria de Educação informou que o fato isolado está sendo apurado. “Todas as atividades para os alunos da rede de ensino municipal disponíveis no site da Prefeitura e no portal do Ledi (Laboratório de Educação Digital), devem ser embasadas na Base Nacional Comum Curricular, no Currículo Paulista e no Currículo da rede de ensino municipal e são preparadas pelos professores de cada unidade escolar. Assim que a Prefeitura tomou conhecimento do material, determinou a retirada imediata do conteúdo do site. O fato isolado está sendo apurado.”, disse a secretaria, em nota.
Uma atividade na aula de artes ministrada para alunos do 7º ano da escola municipal Profª Vera Lúcia, em Santana, gerou polêmica e, em uma das atividades, Bolsonaro, aparece desfigurado, com fezes em cima da cabeça, uma suástica nazista.
Atualmente, por conta da pandemia do novo coronavírus, as aulas nas escolas da cidade estão sendo realizadas de forma online. A deputada estadual Letícia Aguiar (PSL), usou sua conta no Instagram para mostrar o cartaz e criticar a prefeitura. Defensora do movimento Escola sem Partido e alinhada a Bolsonaro, ela chamou o fato de ‘doutrinação ideológica’ e disse que se trata de um ‘absurdo’.
“Mais um caso de doutrinação ideológica esquerdista dentro da sala de aula. Isso é um ABSURDO, uma tentativa de lavagem cerebral em nossos jovens. É inadmissível utilizarem o ambiente escolar para isso! Como mulher, mãe e deputada, sempre defendi o Escola Sem Partido e a segurança de nossas crianças e jovens. Vamos denunciar todos os envolvidos nesse caso e cobrar esclarecimentos aos órgãos responsáveis! Esse crime não pode ficar impune!”, escreveu a deputada.
PERSEGUIÇÃO.
Mais tarde, o SindServ (Sindicato dos Servidores de São José dos Campos), emitiu uma nota criticando uma suposta perseguição ideológica sofrido pelo professor junto à deputada.
"É com profunda indignação que o Sindserv recebeu a informação que um professor da rede municipal está sofrendo perseguição ideológica por políticos profissionais e candidatos da região. O objetivo dessas ações é bem claro, constranger publicamente os servidores da educação e implantar uma atmosfera de medo onde o livre pensamento e a livre circulação de ideias sejam banidas da educação pública. Esse é o objetivo de projetos absurdos e anti-pedagógicos como o Escola Sem Partido. Para completar a nossa indignação, prefeitura de São José dos Campos, ao invés de apoiar seu trabalhador, retirou a atividade do portal LEDI, colocando em dúvida o trabalho do professor sem mesmo comunicar ele ou a escola, chamando a situação de 'fato isolado', ou seja, tomando de princípio a atitude do professor já como errada. A atividade não poderia ser retirada arbitrariamente por conta de denúncias infundadas. A responsabilidade do processo pedagógico é da escola e em última instância, do professor, tendo ele o dever de ser ao menos consultado sobre qualquer ação dentro desse processo", diz a nota.
O sindicato defende a atuação do professor. "Segundo o professor 'a atividade, do 7° ano está relacionada ao contexto da Arte urbana, conforme abordado no livro didático da coleção Teláris. Nesse livro são abordadas várias técnicas e visões de arte, como grafite, o stêncil e o lambe- lambe, que são cartazes.
A situação se polemiza porque numa das que questões enviadas, além de citar a técnica, ilustro-a com duas imagens produzidas pelo artista Johnny Brito, o qual além de ilustrador é um designer gráfico reconhecido no Brasil e internacionalmente. Pois bem, esse artista faz uma série de cartazes em que coloca alguns personagens públicos e suas 'célebres frases'. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma de suas competências (competência 2) é promover no aluno o desenvolvimento do pensamento científico, crítico e criativo. Portanto, a imagem desse trabalho de arte urbana é fazer pensar em relação à nossa sociedade e desnaturalizar situações consideradas 'normais', promovendo a construção da cidadania. Diante disso, os discursos enviesados de 'doutrinação' não se aplicam, pois não há sequer menção direta ou comentários acerca das imagens, mas o uso de uma técnica dentro de um contexto social", diz outra parte da nota.
"Diante deste absurdo o Sindserv vem a público se posicionar em defesa do professor de Artes da rede municipal. Todo e qualquer servidor e servidora que for algo de ações semelhantes pode buscar o nosso sindicato que iremos analisar conjuntamente as ações cabíveis, inclusive jurídicas, caso necessário. Exigimos também que a prefeitura de São José dos Campos mantenha a atividade no ar e se posicione em defesa de seu profissional, que passou pelo processo seletivo público e se mostra apto ao exercício da profissão, não cabendo ações de cunho autoritário para censurar suas atividades. Não a mordaça!".