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Felipe Conceição, técnico do Bragantino: 'Se meu time não for agressivo, estarei triste à beira do campo'

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 4 min
Felipe Conceição
Felipe Conceição

Revelado como jogador e treinador no Botafogo, Felipe Conceição chamou atenção no ano passado com a arrancada que quase levou o América-MG à Série A do Brasileiro. Peça-chave num projeto único do país, ele fala das ambições e métodos do Bragantino, às vésperas das finais do Paulista — amanhã o time pega o Corinthians nas quartas de final — e do início do Brasileirão. E sobre o tipo de futebol que gosta de ver em seus times.

Sua formação tem mais da vivência de jogador ou da formação acadêmica?

São as duas coisas. Valorizo o estudo. Fiz pós-graduação, curso da CBF, leio livros... O treinador precisa ter conhecimento, desenvolver a sua maneira de jogar. Busco crescer e não apenas copiar. Eu pensava em ser gestor, não queria viver nessa vida nômade (de treinador). Sou formado e pós-graduado em administração na FGV. Tive uma experiencia como treinador por acaso. Ali, vi o que queria ser.

Há quem reclame que o Bragantino voltou a treinar antes dos demais...

Nós voltamos quando as autoridades aprovaram, depois paramos quando a Federação solicitou. Paramos por ética. Somos a melhor campanha e não vamos jogar em Bragança por causa das autoridades. E não estamos reclamando, a pandemia foi uma coisa atípica.

A sua contratação pelo Bragantino foi diferente de tudo que você já viveu?

Eu não esperava um processo como esse no futebol. O primeiro contato foi para saber se queria participar do processo seletivo. Houve uma videoconferência com toda a hierarquia da Red Bull, inclusive o Ralf (Rangnick, diretor esportivo da marca e um dos mentores do modelo de jogo que a empresa tenta manter em todos os times da franquia). O Paul Mitchell, do departamento de captação, veio ao Brasil junto ao Thiago [Scuro, CEO da parceria], e eles falaram muito sobre a ideia de jogo, liderança, perspectiva. E confirmaram a maneira que eu via futebol.

Quais ideias suas encaixaram com as da empresa?

Praticamente todas. Na videoconferência, tudo que vinha de lá para cá, eu dizia: "é nesse clube que quero trabalhar". E eles viram que eu penso igual a eles. O clube e a empresa têm uma filosofia, conceitos, ideias. É um jogo agressivo, intenso, de transições rápidas, que busca a vitória, busca se impor.

Há interação entre as filiais do Brasil com de outros países, como Alemanha e Áustria?

Tudo o que se faz aqui é analisado, estudado e enviado para lá. Tem um controle interno nosso e as trocas. O protocolo que a gente utilizou (pela pandemia), por exemplo: como o Leipzig fez primeiro, a gente adaptou. Os detalhes táticos, como você constrói o dia a dia dos treinamentos... Há uma troca, e um coordenador técnico que cuida desta comunicação.

Você usou 10 atletas de até 25 anos nesta volta. É mais fácil o jovem aceitar novas ideias?

Não é só por ser jovem que está aberto a isso. Mas ajuda no processo de construção, de preparação, de entender o processo de evolução. Ter trabalhado na base me ajudou. É desenvolver o jovem para ele se aperfeiçoar. Ter coragem com consciência.

É preciso convencer os jogadores a novos estímulos? Atacantes pressionando, defensor jogando em linha alta e tentando sair jogando...

Tenho meu estilo, mas não falo que é o melhor. Há outras formas de jogar e que, se bem feitas, ganham campeonatos também. Eu admiro equipes que jogam de outra forma, mas me incomoda ver a minha fazendo [risos]. Mas sim, você está tirando atletas da zona de conforto.

Quais as metas deste Bragantino para a atual temporada?

O projeto é de médio a longo prazo. O que a gente quer é fazer uma boa primeira divisão e entrar bem no ano que vem. Nos preparamos bem no Paulista e aceleramos um processo que é para entrar bem no Brasileiro.

As suas ideias são similares às de Jesus, no Flamengo. Por que esse estilo de jogo causa tanto dano no Brasil?

Estou começando e fico muito feliz com qualquer comparação. São níveis de jogo que o Jesus e o [Jorge] Sampaoli trouxeram e, quando bem executados... Se a gente enfrentar uma equipe como o Flamengo, teremos muita dificuldade. Mas é um modelo que gosto, tento jogar assim desde a base.

O modelo clube-empresa pode minimizar os problemas nos clubes brasileiros?

O clube-empresa traz gestão profissional e isso minimiza a política dentro dos clubes. Eu fui escolhido num processo profissional. Em outros, a parte política prevalece, você tem que convencer com resultado que aquela maneira de jogo funciona. Hoje estou em uma empresa que avalia o meu processo de forma técnica, então não preciso convencer que essa maneira de jogar é boa para o clube.

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