Faz dois meses que não fico mais tranquilo, admitiu o secretário de Saúde de São José dos Campos, Danilo Stanzani.
Ele sabe que tudo muda rapidamente quando se trata do novo coronavírus, e que o sistema de saúde precisa dar conta dessas mudanças de rota. Analisar dados, projetar cenários e repensar a estrutura do sistema são ações diárias para o grupo coordenado por Stanzani, cuja meta é achatar ao máximo a curva de contágio na cidade.
"É desconhecido para todo o mundo a situação. Um infectologista francês disse que quem tem alguma certeza sobre o coronavírus está errado", disse o secretário.
"Estamos apreensivos, parece que estamos treinando para uma final de campeonato e o jogo nunca começa."
Fazem parte da preparação a compra de equipamentos, de abertura de leitos de UTI, de treinamento dos profissionais, de preparar mapas, criar protocolos e rotinas.
A vantagem, segundo Stanzani, foi ter tomado as medidas de isolamento social em São Paulo com antecedência, o que evitou a situação de países como Itália, Espanha e Estados Unidos, que tiveram uma explosão de casos em pouco tempo, colapsando o sistema de saúde.
"Temos vantagens com aglomerações 10 vezes menores do que em São Paulo, e a chance de propagação é menor. Também iniciarmos precocemente o isolamento social, o que fez com que os casos continuem crescendo em número pequeno, sem uma inversão da curva muito acentuada", disse.
Mas ele também admite que o pico dos casos ainda não chegou, e o tamanho disso ninguém sabe com certeza.
"Faz dois meses que não fico mais tranquilo. Estamos nos preparando para uma guerra no nosso território e não sabemos como é o inimigo. Minha responsabilidade, da secretaria, do prefeito e secretários é gigantesca. Poucas vezes vivi essa situação. Mas comparado com outras cidades, estamos em condição melhor."
Além de pesquisa a respeito da contaminação do novo vírus em São José com 600 testes e reforço na informação à população, Stanzani tem a segurança de uma rede de saúde organizada.