Nunca tinha ouvido esta expressão utilizada por Pedro Fernando Nery, título de sua coluna publicada no dia 4/2 no Jornal O Estado de São Paulo. Não se trata de um artigo religioso, mas uma análise socioeconômica atual do Brasil. Com quase 50 anos de idade, chego à conclusão que sempre houve preconceito contra a fé evangélica, o que mudou nas últimas décadas foram os argumentos. Na década de 70 e 80, ouvia que crente era "feio, pobre, sem instrução e mora longe". Hoje, "alienado, moralista, conservador de direita e adepto à teologia da prosperidade".
Sou um pastor Batista e, sobretudo, um cristão, e sei que os valores e princípios da fé evangélica bíblica, de um jeito ou de outro, sempre incomodarão alguns. Contudo, não sou um produto em uma garrafa para aceitar rótulos. A despeito dos motivos, existe preconceito contra os evangélicos; sempre houve e acredito que sempre haverá, porém, não sou vítima e não terei vergonha da minha fé por causa disso. O que a sociedade precisa é entender que o Brasil está mudando. Segundo estatísticas recentes 31% da população brasileira declara-se evangélica: são mais de 70 milhões de brasileiros.
O fato é que, diante das mudanças do atual governo federal em certas questões de política pública, em especial nas áreas de Educação, Direitos Humanos e Saúde, há os que querem colocar a sociedade contra os evangélicos, dizendo que estas são políticas evangélicas. Discordo. O presidente nem evangélico é, declara-se católico, é militar, conservador e de direita, e está fazendo um governo tal qual prometeu. Quem preferiria um governo mais liberal, precisará votar nas próximas eleições. Porém, ser contrário ao simples fato de que o presidente nomeou 4 ministros de seu governo que professam a fé cristã evangélica pode se caracterizar como preconceito, ou na expressão de Nery, crentefobia.
Percebo que cada vez mais a incredulidade religiosa é saudada como racional e esclarecida, ao passo que a fé é rotulada como retrógrada e obscurantista, em especial a fé cristã. Por que a mídia deu tanto peso negativo à nomeação do antropólogo Dr. Ricardo Lopes Dias, conhecedor na prática da sofrida realidade dos índios na América do Sul, como novo coordenador de indígenas isolados da Funai? Creio que parte das atuais críticas não são porque essas pessoas são evangélicas, mas porque aceitaram o desafio de ajudar a compor um governo de direita.
Sei que existem irmãos evangélicos, seja por ignorância ou por más intenções, que agem de forma errada. Generalizar é um erro e é preconceito. Ame e respeite a diversidade de fé e de expressão, e assim teremos uma sociedade melhor e mais justa..