A pobreza mata.
Fator de risco para a disseminação da Covid-19, a situação econômica das famílias contribui para aumentar a chance de contágio pela doença, que matou cerca de 272 mil pessoas no mundo.
No Vale do Paraíba, segundo estudo de pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), há 44,3 mil residências com adensamento excessivo, com três ou mais moradores por dormitório.
Isso impede as famílias de adotarem a principal medida para conter a disseminação da doença, que é o distanciamento social. Não é possível fazê-lo numa casa pequena em que moram muitas pessoas, como é o caso de 5,33% das residências da região.
Para piorar a avaliação, o estudo do Inpe mostra que 7,81% das famílias da região vivem em coabitação, ou seja, dividindo o mesmo espaço com outros moradores, o que também prejudica a adoção de medidas de prevenção à doença.
Mas é na questão econômico-social que o problema é maior. Os pesquisadores identificaram que 61% das casas da região têm rendimento mensal per capita de até um salário mínimo, o que revela uma maioria de pessoas em situação de vulnerabilidade para a Covid-19.
Outro dado preocupante apontado no estudo do Inpe é para a quantidade de pessoas acima de 60 anos que têm renda de até um salário mínimo. Eles chegam a 8,3% dos idosos da região, um contingente de 31,4 mil pessoas.
Como os mais velhos já fazem parte do principal grupo de risco para a Covid-19, a vulnerabilidade econômica torna essa condição ainda mais arriscada.
"A doença está avançando para as comunidades vulneráveis da capital e esse será o desafio que enfrentaremos nas próximas semanas", disse o médico Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e coordenador interino do Centro de Contingência ao Coronavírus.
Entre as cidades da região, Natividade da Serra, Lagoinha e Redenção da Serra têm a maior parte dos seus idosos vivendo com renda de até um salário mínimo, com percentual de 14%, 13,8% e 12,6%, respectivamente.
Já Areias, Cunha e a mesma Redenção estão no grupo das com a maior quantidade de casas com rendimento mensal per capita de até um salário mínimo, com percentuais de 79%, 77,8% e 74%, respectivamente.
Em comparação, São José e Taubaté têm 40,6% e 41,8%, os menores índices do Vale.
AJUDA EMERGENCIAL.
Não à toa, o Vale teve 115,5 mil pessoas habilitadas a receber o auxílio emergencial do governo federal em abril, segundo levantamento divulgado pelo Ministério da Cidadania.
O benefício varia de R$ 600 a R$ 1.800 por família e será pago pelo governo por três meses, para o enfrentamento da pandemia da Covid-19.
No total, o benefício foi pago a 82,3 mil famílias da região em abril, que dividiram R$ 90,7 milhões, segundo o governo. O valor médio do auxílio emergencial em abril, no Vale, foi de R$ 1.102.
Os cadastrados na verba emergencial se somaram aos beneficiários do Bolsa Família, programa que segue atendendo famílias no Vale em meio à pandemia, atendendo famílias em situação de extrema pobreza e de pobreza.
Os beneficiários puderam optar por receber o maior valor, ou do programa ou do auxílio emergencial.
Com isso, o Bolsa Família atendeu 5.575 famílias em abril, com R$ 901,9 mil e média de R$ 161,78 por benefício.
No total, somando Bolsa Família e auxílio emergencial, a região teve 87,8 mil famílias atendidas pelos programas do Ministério da Cidadania em abril, com o pagamento de R$ 91,6 milhões.
Trata-se do maior volume de beneficiários atendidos no ano. Em março, o Bolsa Família atendeu 80,4 mil famílias no Vale do Paraíba.
O auxílio emergencial começou a ser pago apenas no mês de abril, e seguirá por maio e junho.
Mesmo assim, os atendidos pelos programas não alcançaram o recorde histórico de 91,4 mil famílias beneficiadas na região em maio de 2019.
O auxílio tem regra específica e a mulher provedora de família --sem cônjuge e responsável por ao menos uma pessoa menor de 18 anos, recebe dobrado --R$ 1.200.