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Restrição de viagens cabe a cada país, diz braço da OMS sobre Europa barrar turistas das Américas

Por Agência O Globo |
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OMS
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Diretores do braço da OMS (Organizações Mundial da Saúde) nas Américas afirmaram que os países da Europa que adotam restrições de entrada a turistas das Américas têm autonomia para fazê-lo em meio à pandemia de Covid-19. Em coletiva virtual nesta terça-feira, especialistas da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) afirmaram que a decisão de barrar a entrada de viajantes da região, entre eles brasileiros, corresponde a cada país.

"Muitos países já implantaram restrições de viagem até o momento. Entre as medidas mais úteis está o monitoramento das pessoas que vão viajar. Quer dizer, identificar os sintomáticos antes que viagem. É uma responsabilidade compartilhada. Mas não existe risco zero. Então é importantíssimo também implementar medidas no país de destino", disse Ciro Ugarte, diretor de Emergências em Saúde da Opas.

Questionado pela reportagem sobre o caso específico do Brasil, Ugarte afirmou que pessoas originárias de um país com alta taxa de transmissão devem tomar medidas para evitar contagiar as demais quando viajam. Mas os países de destino também têm autonomia para prevenir o contágio:

"Assim todos ficam seguros. Mas a decisão de restringir viagens corresponde a cada um dos países. E eles apresentam à OMS suas justificativas para isso, como outros países já fizeram até agora".

Ainda sobre o Brasil, os diretores da Opas fizeram um chamado para que a mensagem nacional de combate à pandemia de Covid-19 no Brasil seja "consistente" com as recomendações internacionais, "para não confundir a população". Recomendaram, ainda, que o país aumente a testagem e não abandone as medidas de contenção de contágio enquanto atividades são retomadas em vários estados.

"No Brasil, os governadores têm autonomia para implementar medidas (de combate ao novo coronavírus). Mas claro que sem uma mensagem consistente com as recomendações internacionais a população se confunde. E a Opas se preocupa com isso", afirmou Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas.

Testagem e diferenças regionais

Espinal comentou a preocupação da comissária de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, que se disse preocupada com a "negação da realidade" e polarização ligadas à pandemia no Brasil e em outros países.

"O importante é o trabalho realizado no país, com os profissionais de saúde e as ações implementadas. Por isso chamamos o país a aumentar a testagem, e que essa mensagem seja consistente, sem redundâncias", disse Espinal. 

Questionado sobre o fato de que o Brasil leva mais de um mês com um ministro interino da Saúde, o diretor da Opas afirmou que, para além de um ministro, há "um exército de trabalhadores dedicados, cientistas, médicos, enfermeiros e trabalhadores sociais que ajudam a população": "É necessário que o Brasil continue testando as pessoas, e que não generalizemos todo o país, porque há regiões com diferentes níveis de pandemia, que não são os mesmos de estados como São Paulo ou Rio de Janeiro. É importante levar isso em conta. De todos modos, a mensagem deve ser consistente. E continuar com as recomendações e medidas de contenção, mesmo com as ações de reabertura".

As diferenças regionais na pandemia também foram lembradas pela diretora-geral da Opas, Carissa Etienne. Segundo ela, existem diferentes curvas epidemiológicas dentro de cada país da região, e as respostas de saúde pública devem ser ajustadas a situações específicas.

"Manaus, no Brasil, teve o primeiro dia sem novas mortes em consequência da Covid-19 depois de várias semanas com altos índices de mortalidade. Em algumas regiões dos Estados Unidos, há diminuição de casos, mas outros 27 estados estão com crescimento exponencial. Países no território do Caribe não notificam casos novos em várias semanas. Mas devemos permanecer alertas. Devemos ter em conta essa variedade de situações e trabalhar em contextos diversos para controlar o contágio", afirmou a diretora da Opas.

Segundo ela, sem uma vacina eficaz até o momento, as ferramentas à mão são limitadas. Mas não há outra opção que não aproveitá-las ao máximo: "A complacência é um inimigo na luta contra a Covid".

Covid e influenza

A cocirculação do novo coronavírus com a influenza durante a temporada de gripe iniciada com o inverno no Hemisfério Sul também preocupa os diretores da Opas. Alighieri, diretor de, afirmou que a organização já fez recomendações aos países da região para que fortaleçam seus sistemas de vigilância. E lembrou a importância da experiência obtida com a epidemia de AH1N1 para atravessar esse momento.

"Os países não estão começando do zero. Desde a (epidemia de) AH1N1, os países investiram muito na vigilância da gripe. A mensagem em meio a essa pandemia de 2020 é que os países utilizem as plataformas que já existem para a vigilância de AH1N1", disse Sylvain Alighieri, diretor de incidentes da Opas.

O especialista afirmou que milhares de pessoas morrem todos os anos como resultado da influenza, principalmente pessoas em grupo de risco. "Além de reforçar a vigilância, o que fizemos nos últimos meses foi ajudar os países para que chegue a vacina e que implementem uma campanha forte contra a gripe, primeiro entre profissionais de saúde e depois em grupos de risco", afirmou.

"Insistimos que sigam com a vigilância e o monitoramento dos indicadores de ocupação dos leitos, medidas de saúde pública, porque distanciamento social e lavar as mãos também vão proteger a população do contágio de vírus da gripe".

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