Tal qual um 'caixeiro-viajante', Júlio Serson prepara agenda internacional em 2021 para buscar investimentos estrangeiros no pós-pandemia.
A meta do secretário estadual de Relações Internacionais é 'vender' São Paulo e atrair negócios e dinheiro de países como China, Estados Unidos e Alemanha.
Ele admite dificuldade extra pela imagem ruim do país lá fora, principalmente pela má conduta do governo federal na pandemia e no meio ambiente, mais a crise política.
"Não diria que a gente vai perder, mas fica mais difícil. O mundo é competitivo", disse ele ao 'Gabinete de Crise' de OVALE, lembrando que a polarização política ficará de fora da bagagem. "Nossa ideologia é a preservação de emprego e o crescimento econômico".
Confira:
Qual é o projeto?
O governador João Doria sempre valorizou a necessidade da internacionalização do estado para a busca de recursos, oportunidades e investimentos.
Gerar emprego atraindo empresas e negócios. Com essa pandemia, demos uma parada grande. A partir de janeiro de 2021, o governador vai retomar a agenda internacional, começando pelo Fórum Econômico de Davos, depois China e EUA.
Como vender São Paulo?
O mundo mudou. Está muito diferente e vivemos outra realidade. O estado é uma localidade com regras estáveis, contratos respeitados e mantidos.
Temos boa mão de obra, logística, clima bom e áreas adequadas para implantação de novos projetos. O governo tem um plano de privatizações e parcerias com aproximadamente 20 projetos e teremos oportunidades para investidores internacionais. Trens, aeroportos, rodovias, ferrovias e assim por diante. As oportunidades são inúmeras e basicamente é o que ofereceremos.
A RMVale é um atrativo?
Sem dúvida nenhuma. A gente sabe que a capital está saturada e os custos são maiores. A orientação é ter um olhar para o interior. O Vale tem grandes atrativos. A logística, a mão de obra qualificada, a tecnologia.
E como é região com a indústria bastante presente existe um know-how para a captação de negócios, todo um conhecimento que não se adquire do dia para a noite e nem por decreto. A experiência conta muito. O histórico do Vale é muito positivo.
Quais setores serão os mais importantes na retomada?
Agronegócio, turismo, indústrias e a prestação de serviço. Vamos tornar esses setores novamente competitivos, e para isso o interior é importante. A retomada de negócios e do emprego é prioridade.
Bolsonaro torna a imagem do país ruim. O que fazer?
Não diria que a gente vai perder, mas fica mais difícil.
O mundo é competitivo. O capital vai onde as condições são melhores, principalmente de estabilidade econômica e jurídica. Nosso trabalho para vender o estado é maior. Mas entendo que São Paulo tem uma realidade específica. É um estado pujante, uma nação dentro de uma nação.
Temos muita condição de mostrar que nos diferenciamos de algumas coisas do restante do país e que não entramos nessas questões políticas.
A ideologia não atrapalha?
Nossa ideologia é a preservação de emprego e o crescimento econômico. Não temos que nos basear nas questões ideológicas que são secundárias.
E temos que respeitar a autonomia dos países, assim como não queremos que interfiram no Brasil.