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Após queda, quatro estados brasileiros voltam a registrar aumento no número de casos semanais de coronavírus, diz Fiocruz

Por Agência O Globo |
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Coronavírus. Ministério da Saúde tem novo portal de dados
Coronavírus. Ministério da Saúde tem novo portal de dados

Os estados de Rio de Janeiro, Ceará, Maranhão e Amapá registraram na última semana uma retomada do crescimento no número de novos casos semanais de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma das complicações causadas pelo novo coronavírus. Segundo o boletim InfoGripe, da Fiocruz, os quatro notificaram o aumento de ocorrências após um período de queda. Embora nem todos os casos de SRAG sejam de coronavírus, o aumento de casos é visto como um alerta para um crescimento também dos casos de Covid-19, sobretudo neste ano, em que a maioria dos casos de SRAG é causada pelo vírus.

Nacionalmente, o novo boletim indica também a persistência do crescimento no número de novos casos semanais no país. Conforme o GLOBO revelou no último dia 15, após três semanas de queda no ritmo de crescimento da pandemia, o Infogripe da semana passada indicou que a média semanal de casos novos voltou a crescer, atingindo um percentual semelhante aos da semana de pico, em maio.

"Os valores semanais ainda encontram-se em um valor muito acima do nível de casos considerado muito alto. Como sinalizado nos boletins anteriores, a situação nas regiões e estados do país é bastante heterogênea. Portanto, o dado nacional não é um bom indicador para definição de ações locais", alertou o boletim.

Para o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, a retomada do crescimento é preocupante, sobretudo em alguns estados.

"O que preocupa é que alguns estados que vinham de período de queda voltaram a crescer sem ter chegado num volume significativamente baixo", afirma, em referência a Rio, Ceará, Maranhão e Amapá.

O Rio de Janeiro, por exemplo, chegou a registrar seu pico de casos no final de abril, com 2936 casos e começou uma queda no número de casos que persistiu até meados de junho, quando chegou a cair a 816. Entretanto, os dados apontam uma confirmação da curva de crescimento no estado desde o dia 21 de junho. Na última semana, que foi até o dia 18 de julho, houve 1422 casos.

No Maranhão, o número de casos chegou a 362 no início de junho, quando começou a cair até 165. Mas também voltou a subir nas última semana e está em 173. No Ceará, os casos chegaram a 2141 também no início de maio e caíram até 828. Na últimas semanas, voltou a crescer e está em 918.

Por fim, o Amapá testemunhou uma queda nas últimas semanas após ter 61 casos no final de maio. Os números praticamente voltaram a esse patamar em julho. Na última semana, foram registrados 63 novos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Além disso, o InfoGripe também confirmou o crescimento em todos os estados do Sul e a queda de casos da doença nos estados da Região Norte. Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e no Distrito Federal, por sua vez, apresentam estabilização de casos após um período de crescimento. Já São Paulo, após leve queda durante o mês de maio, também mantém estabilização em valores semanais em valores ainda próximos ao observados neste ano.

O boletim destacou que a flexibilização das medidas de distanciamento social facilitam a disseminação de vírus respiratórios e, portanto, podem levar a uma retomada do crescimento do número de novos casos. O documento também alerta para a diferença do avanço de SRAG em cada estado, recomendando que sejam feitas avaliações locais. Segundo o relatório, a situação dos grandes centros urbanos é potencialmente distinta da evolução no interior de cada estado.

De acordo com Marcelo Gomes, existe um temor de que a curva brasileira repita à dos Estados Unidos, onde o número de casos voltou a crescer nacionalmente, e não a dos países europeus, onde os casos retrocederam após o pico.

"Para que a gente tivesse uma queda significativa a gente teria que ter feito um esforço maior do que nós fizemos em termos de distanciamento social, e aí não em termos de política pública apenas, mas também de adesão populacional. As duas coisas tem que andar de mão dadas. Independentemente de precisar ou não por diversas questões, sempre que a gente flexibilizar, com o vírus ainda presente, ele vai ter mais facilidade de se transmitir. Aumenta a interação, facilita a transmissão", afirma Gomes.

Os dados do Infogripe levam em conta pacientes que já tiveram diagnóstico confirmado para Covid e outros que apresentam sintomas que podem indicar a presença do vírus. Eles foram consolidados tendo como base a última semana epidemiológica analisada, a 29, de 12 a 18 de julho. Os dados são coletados a partir do Sivep-gripe, o sistema de notificação nacional, do Ministério da Saúde, em que unidades de saúde e secretarias estaduais e municipais adicionam informações sobre os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, uma das complicações causadas pela Covid-19.

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