Arritmias cardíacas e lesões hepáticas. Essas são alguns dos efeitos colaterais comprovados em pacientes com quadro leve e moderado com Covid-19 que fizeram o uso da hidroxicloroquina durante o tratamento contra a doença. Os dados são de uma pesquisa divulgada esta semana pela Coalizão Covid-19 Brasil, que contou com 55 hospitais públicos e privados de ponta no Brasil e com os resultados publicados "New England Journal of Medicine", um prestigiado periódico científico norte-americano.
De acordo com a metodologia aplicada, os médicos e pesquisadores brasileiros acompanharam 667 pacientes de hospitais em diferentes regiões do início da pandemia no país, em março, até junho. Após analisar três grupos de pacientes, com as combinações diferentes de remédio, ficou constatado que a hidroxicloroquina não ofereceu nenhum benefício na recuperação deles. E ainda deixou os efeitos colaterais.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) já havia anunciado em maio a ineficácia do remédio para o tratamento da doença e inclusive proibiu testes com o medicamento. Até mesmo nos EUA, do entusiasta Donald Trump em relação ao tramento, em junho foi revogada a autorização para o uso da hidroxicloroquina nos casos de coronavírus. Porém, por aqui, no Brasil, nada disso parece afetar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele, que ainda se recupera da infecção pela Covid-19, fez até 'propaganda' do remédio, tomando em um vídeo gravado e divulgado em suas redes sociais. O presidente afirmou que, no começo da doença, estava com febre e se sentindo mal, mas que o uso do remédio teria trazido efeitos positivos. Constantemente, defende a utilização de um medicamento que, na prática, não tem nenhuma comprovação científica.
Na Suécia - outro país que não adotou a quarentena e teve mais casos confirmados da doença do que nos outros vizinhos escandinavos - o uso da hidroxicloroquina em pacientes já tinha sido suspenso em abril, após relatos de arritmia cardíaca e até casos de parada cardíaca. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que é médico, quando estava no cargo já havia alertado para o risco da cloroquina para quem tem problemas cardíacos. Seu substituto, Nelson Teich, que também é médico, deixou o cargo justamente por discordar de Bolsonaro sobre o protocolo que previa o tratamento da doença com o polêmico e tão falado remédio.
POSITIVO.
O fato é que Bolsonaro já fez três testes recentes para a doença e todos eles detectaram que ele continua infectado e deve continuar em quarentena, cumprindo sua agenda presidencial dentro do Palácio da Alvorada, sem contato com o público. Ou, ao menos, deveria. Nesta última quinta-feira, por exemplo, o presidente foi visto andando de moto, sem máscara, pelas ruas de Brasília, e ainda cumprimentando funcionários que trabalhavam na limpeza pública.
E, não bastasse isso, o presidente já chegou a sugerir o uso de um outro remédio, também sem comprovação de eficácia: a ivermectina, remédio utilizado no combate a vermes e parasitas. O remédio é contraindicado para crianças e mulheres grávidas, por exemplo. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), informou este mês que não há recomendação para o uso do remédio contra a Covid-19..