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Em depoimento, Lazaroni lembra derrota na Copa-1990: 'Carreguei um fardo muito pesado'

Por Agência O Globo |
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Sebastião Lazaroni
Sebastião Lazaroni

Na quarta-feira passada (24), a derrota do Brasil para a Argentina por 1 a 0 na Copa do Mundo de 1990, na Itália, completou 30 anos. A eliminação nas oitavas de final ainda é um fantasma que ronda Sebastião Lazaroni, treinador da seleção no torneio. Em depoimento ao GLOBO, ele conta como é carregar essa marca por três décadas:

"Relembrar os 30 anos daquela eliminação para a Argentina traz uma ponta de tristeza. Jogamos melhor, criamos mais e perdemos na atuação daquela máxima do futebol: quem não faz, leva. Incomoda mais pelo fato de, na Copa América do ano anterior, termos conseguido superá-los, o que não se repetiu naquele dia, muito pela ausência de peças importantes. Fica o gosto um pouco amargo de um trabalho que abrangia o título continental, vencido dentro do Maracanã depois de 40 anos, toda a preparação para o Mundial, mas que não foi alcançado em sua totalidade. Hoje, anos depois, é muito fácil apontar o que poderia ou não ter feito. No entanto, acho que, depois de o Branco me revelar que estava um pouco "aéreo", o que viemos a saber anos depois ser por decorrência de uma água ‘batizada’ cedida pelo massagista da Argentina, eu poderia substituí-lo pelo Mazinho.

Ao final, com eliminação, vem a necessidade de apontar o culpado, o responsável ou os responsáveis, acredito que seja um dos fatores do insucesso ter recaído sobre mim. Por mais que tenha existido a ‘Era Dunga’, ele foi capitão do tetra quatro anos depois, junto com outros que estavam naquele elenco na Itália. Foram, talvez, perdoados por terem alcançado o objetivo posteriormente. Fiz parte de uma transição de gerações: dos times brilhantes dos anos 1980 para os vencedores de 94 e finalistas de 98.

Durante o Mundial, não ficou acertado, em momento algum, a premiação dos componentes. Acabou que saímos da Copa, isso não foi acertado e ninguém nunca viu a cor desse dinheiro. Podem até julgar como aspecto meramente econômico, mas todos ali eram profissionais. É o ganha pão de cada um.

Estaria mentindo, se dissesse que aquela eliminação não marcou minha carreira. As pessoas, a própria mídia são muito cruéis em alguns pontos. Basta lembrar o que foi a vida do Barbosa pós-Copa de 1950. Eu carreguei, no mínimo, por uns 10 anos, um fardo muito pesado. Mesmo fora do Brasil, treinando no México, recebia notícias de que ainda me criticavam: ‘Pô, estão falando mal de você para caramba!’, me passavam. Eu digo que ser treinador é igual aquela modalidade da vela (Classe Laser) em que você está sozinho naquele barquinho e o vento bate na sua vela e vai te levando na direção que ele deseja e o que não faltam são pessoas que digam que você deveria ter tomado esse ou aquele outro caminho em vez do que você tomou. Não é fácil.

Ainda sim, sou um otimista. Sempre fui. Agradeço constantemente por tudo que consegui e me foi proporcionado na vida. Não tenho rancor, raiva, nem nada disso. O que passou, passou. É para frente que se anda."

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