Apesar de o Reino Unido ser um dos países com maior número de infectados e de mortos pela Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil, e com quase 45 mil casos fatais, ainda há resistência por parte dos cidadãos ingleses de usar máscara no dia a dia, em bares e lojas reabertos. E o comportamento perdura mesmo na semana em que a OMS confirmou que a transmissão do novo coronavírus realmente se dá pelo ar e estudos científicos são publicados evidenciando que o uso da proteção é importante para reduzir o contágio.
"O Reino Unido está atrás de muitos países no uso da máscara como prevenção", disse o presidente da agência científica Royal Society, Venki Ramakrishnan, na última terça-feira. "Não usar máscara é tão antissocial quanto dirigir alcoolizado e já há evidências claras de que o uso ajuda não só a proteger a si mesmo como aos outros".
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que contraiu Covid-19 e chegou a ser internado em UTI, não deu o exemplo e não usou máscara em público até semana passada, quando foram publicados dois novos estudos sobre o vírus: um de um grupo multidisciplinar da Royal Society fazendo uma revisão de pesquisas anteriores mostrando a eficácia do uso de máscaras; e o segundo, americano, publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências, enfatizando que cerca de metade das contaminações ocorreu de pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas, e que o uso da máscara, nestes casos, seria preventivo.