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'O pior já ficou para trás', diz presidente do BC sobre retomada econômica

Por Agência O Globo |
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Ajuda. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
Ajuda. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

Com a percepção de que o pior já passou, o presidente do Banco Centra, Roberto Campos Neto, afirmou que a queda na economia em 2020 deve ser menor do que a redução de 6,4%, projetada pelo BC no fim de junho. A afirmação foi feita em uma entrevista para o Jornal da Record veiculada na noite de segunda-feira.

"Nós soltamos nosso último número de crescimento no relatório de inflação que foi 6,4% de queda no PIB, mas enfatizamos que nós agora entendemos que a assimetria é para o outro lado. É mais provável que seja melhor do que isso e os dados recentes corroboram com essa visão".

Segundo Campos Neto, dados econômicos de arrecadação de impostos, de tráfego e consumo de energia, por exemplo, mostram que o pior ficou para trás. Ele ressalta que os piores momentos foram as duas últimas semanas de abril e a primeira de maio, que foram seguidas por uma melhora ainda em maio e com números de junho "relativamente fortes".

"Esses dados corroboram com a visão de que o pior já ficou para trás e a gente vai ter um crescimento melhor. Esse início da volta do crescimento tem sido de uma forma até relativamente acelerada. Obviamente a base é baixa, porque a queda foi grande, mas a gente começa a ver que essa primeira fase da recuperação tem sido o que os economistas chamam de V, tem sido uma recuperação mais forte".

O crescimento em V é como a retomada pode ser vista em um gráfico. Seria uma queda vertiginosa seguida de uma recuperação igualmente intensa. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já disse repetidas vezes que a retomada da economia brasileira deve ser nesse formato.

Retomada dos investimentos

Campos Neto também disse que o governo está trabalhando para atrair investimentos para o país. O presidente do BC ressaltou que o governo tem uma reunião marcada com os investidores que, em carta, pressionaram por uma redução do desmatamento no país. Esses investidores administram fundos globais de US$ 3,75 trilhões e mostraram preocupação com o "desmantelamento de políticas ambientais e de direitos humanos".

"Temos uma reunião na quinta-feira com investidores que assinaram a carta para expor o nosso programa e dar esclarecimentos sobre o que vai ser feito".

No fim de junho, Campos Neto disse que havia falta de informação quanto as atividades do Brasil na área climática. Nas últimas semanas, o vice-presidente Hamilton Mourão se reuniu com ministros, como a da Agricultura, Tereza Cristina e da Casa Civil, Braga Neto, além do presidente do BC, para organizar essa resposta do governo à carta dos investidores.

Na segunda-feira, Mourão disse que o país não vai "deixar que as ilegalidades prosperem" na Amazônia em mensagem enviada para o "resto do Brasil" e "para o mundo".

O presidente do BC ressaltou que a saída de recursos estrangeiros durante a crise foi grande em mercados emergentes e principalmente no Brasil. Em um momento de crise, investidores tendem a procurar ativos mais seguros e retirar seus recursos de países emergentes, que apresentam mais riscos.

Campos Neto acredita que o governo precisa passar uma mensagem de credibilidade. Para isso, deve demonstrar um compromisso com as reformas econômicas, mostrar que os gastos com a pandemia são temporários e afirmar sua política de preservação ambiental.

"Tem uma parte também que estamos trabalhando que é a parte climática, que é dizer que o Brasil tem uma governança verde, que é comprometido com esse tipo de agenda.Isso também ajuda porque alguns investidores olham isso hoje e colocam muita importância nessa dimensão. É um conjunto de fatores, mas entendo que esses investimentos vão voltar".

WhatsApp e Cielo

Segundo Campos Neto, ao suspender o funcionamento da ferramenta de pagamentos e transferências do WhatsApp, o BC não proibiu a entrada do serviço no sistema, apenas colocou que o arranjo de pagamentos deveria passar pelo mesmo trilho de aprovação que outros arranjos.

"Nós temos uma preocupação com aquele ingredientes que eu mencionei, ter um sistema que seja rápido, seguro, barato, transparente e aberto. Então se for demonstrado ao BC que é um sistema aberto e competitivo vai ter aprovação, não vai ter nenhum problema".

Na semana passada, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que havia suspendido o funcionamento da ferramenta, revogou a medida e passou a permitir a operação. O Cade considerou que as informações que as empresas enviaram ao tribunal foram suficientes para tranquilizar as preocupações quanto a concorrência no setor.

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