Com mais de 17 mil óbitos por Covid-19, o estado de São Paulo vai iniciar um novo protocolo de rastreamento de casos confirmados e suspeitos. O governo anunciou a criação de uma ferramenta unificada para que os municípios consigam isolar e acompanhar pessoas que nos últimos 14 dias tenham tido mais de 15 minutos de contato com pacientes infectados pelo novo coronavírus.
"Tão importante quanto a testagem são o rastreamento e o isolamento para combate à pandemia", disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, em coletiva nesta quinta-feira na sede do governo do estado.
Segundo o governo de São Paulo, 7.500 profissionais de saúde participam do rastreamento e monitoramento de contatos. E 98% dos municípios já realizam monitoramento de contatos.
O anúncio da ferramenta unificada entre os municípios, porém, acontece quatro meses após a confirmação do primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no estado. A ideia, anunciaram integrantes do governo, é padronizar e automatizar os protocolos, investindo em plataformas tecnológicas para agilizar o rastreamento, diz a secretária:
"Nos últimos 15 dias, 560 mil pessoas foram isoladas e monitoradas por essas equipes".
O projeto piloto foi iniciado em três municípios: Araraquara, São Bernardo do Campo e Bauru. No início de agosto, será expandido a mais cem. A ideia é cobrir todo o estado até o final de agosto. Atualmente, a taxa média de letalidade por Covid-19 no estado está em 4,9%.
"Em São Bernardo do Campo já existe uma equipe bastante profissionalizada, com 50 membros, e vamos apoiá-los com modelo de controle e integração de plataforma. Em Araraquara, vamos fazer o modelo de apoio parcial, com uma equipe remota também. E, em Bauru, um modelo de apoio mais integrado", acrescentou Patrícia Ellen.
Presente na coletiva, a infectologista e virologista Nancy Bellei ressaltou a importância do rastreamento em outros países.
"Intervenções como essa, de rastreamento de casos e contatos, são muito importantes. Ações como essa foram feitas em vários países e tiveram sucesso. Mas, dependendo do relaxamento das medidas de distanciamento social, esses mesmos países também enfrentaram recrudescência da doença", alerta a pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo ela, "a pandemia não acabou".
"Ainda estamos no início do aprendizado sobre o novo coronavírus, e podemos ter recrudescência no número de hospitalizações e óbitos de forma irregular no estado de São Paulo e no país", afirma. "Quase todos os dias, 30% de todos os funcionários que coletam exame, que eu avalio na universidade, testam positivo, e muitos deles nem têm contato direto com pacientes, mas é porque a percepção de risco muitas vezes é relaxada".
O estado tem hoje um total de 349.715 casos confirmados, segundo os dados atualizados desta quinta-feira. Além disso, foram confirmadas 17.118 mortes em decorrência da doença. São 330 novas mortes por coronavírus em 24 horas, no terceiro dia seguido nesta semana em que as mortes diárias ficam acima de 300.
Divisão de testes
Na coletiva, os integrantes do governo também anunciaram que os números de testes realizados no estado passarão a ser divulgados por tipos: entre RT-PCR, que identificam a infecção ativa, e os sorológicos e rápidos, exames de sangue que verificam a existência de anticorpos, indicando que a pessoa teve contato com o vírus em algum momento.
"Com isso, conseguiremos um monitoramento epidemiológico mais claro da pandemia na nossa população", explica o coordenador do Centro de Contingência de Coronavírus, Paulo Menezes.
Segundo ele, a informação destacada vai ajudar a separar os casos mais agudos, identificados pelos testes PCR, dos casos que indicam uma infecção passada, pela presença de anticorpos, com os testes sorológicos.
Do total de casos confirmados no estado, 71%, ou 248.492 testes, foram feitos com o método RT-PCR. Outros 28%, ou 96.907, foram de testes rápidos. Os demais 4.316 testes, 1% restante, foram feitos com outros métodos.
O estado tem hoje um total de 349.715 casos confirmados, segundo os dados atualizados desta quinta-feira. Além disso, foram confirmadas 17.118 mortes em decorrência da doença. São 330 novas mortes por coronavírus em 24 horas, no terceiro dia seguido nesta semana em que as mortes diárias ficam acima de 300.
A taxa de ocupação das UTIs no estado é de 64,7%. E, na Grande São Paulo, de 63,6%.
Há ainda 5.339 pessoas internadas em UTIs e outras 7.982 em enfermarias. Os casos recuperados ultrapassam 202 mil.