Brasil

Pan de 2007: O ouro que fez o Brasil enxergar o futebol feminino

Por Agência O Globo |
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Seleção feminina
Seleção feminina

Há 13 anos o Brasil entrava em campo para mostrar ao país e ao mundo o que é considerado por muitos a melhor seleção feminina de todos os tempo. A vitória por 5 a 0 sobre os EUA no Pan-Americano de 2007 rendeu não apenas uma medalha de ouro, mas a visibilidade que o futebol das mulheres jamais teve. A Rede Globo reprisa neste domingo, às 16h, a goleada que marcou a história da modalidade no país.

No Pan, a seleção fez uma campanha perfeita, com 33 gols marcados e nenhum sofrido, que culminou numa final com o Maracanã lotado e a expectativa de todos os brasileiros pelo título em casa. Antes de enfrentar as americanas bicampeãs mundiais e olímpicas, o Brasil derrotou o Uruguai, Jamaica, Equador, Canadá e México. Marta foi a artilheira do torneio, com 12 gols, e a vice artilheira Cristiane, com 8, relembrou o apoio da torcida na época:

"Por ser transmitido em canal aberto, esse jogo teve possibilidade de alcançar outras pessoas, crianças que nem imaginavam que tinha futebol feminino e que a gente conseguiria encher um estádio", disse a atacante.

Para além das goeladas, jogadas plásticas e grandes atletas, aquele jogo representou a primeira vez que a torcida brasileira se reconheceu no futebol feminino. O time masculino já havia caído na primeira fase, e o público de 67 mil pessoas viu naquelas mulheres a esperança de uma grande vitória.

"A gente não tinha noção do quanto esse jogo entraria na história, e o que a gente estava escrevendo aquele dia. É um marco para um esporte que era proibido para as mulheres e foi descreditado pela torcida, que é do pais do futebol. O Brasil foi do futebol feminino por aquele momento', disse Aline Pellegrino, capitã da seleção que conquistou o ouro.

Dois meses depois, o Brasil ainda foi vice-campeão da Copa do Mundo da China, e muitos ainda se perguntam como aquele time conseguiu tais conquistas sem nenhum investimento. A essa altura, Marta já tinha sido eleita melhor jogadora do mundo pela FIFA, e o país sequer tinha uma liga de futebol feminino.

A visibilidade do Pan-Americano ajudou a empurrar o desenvolvimento da modalidade, que vinha caminhando à passos curtos. Em outubro daquele ano, foi criada a Copa do Brasil de Futebol Feminino, que depois se tornou o Brasileirão. De lá para cá, os campeonatos nacional e estaduais foram reestruturados, e no ano passado, a CBF criou duas novas competições, a Sub-18 e Sub-16, além de reformular a Sub-14.

Até 2018, eram disputados 217 jogos o futebol feminino brasileiro por ano. Desde o ano passado, esse número quase dobrou, e em 2020 todas as competições terão algum tipo de transmissão.

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