O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou nesta quinta-feira que não será possível estender o período de concessão do auxílio emergencial de R$ 600.
Sachsida argumentou que o programa foi desenhado para ser temporário e seria muito caro para manter. O programa tem duração esperada de três meses.
"Ele não é um desenho estrutural, é um desenho emergencial para socorrer rapidamente uma ampla parcela da população brasileira que ficou desassistida e impossibilitada de trabalhar do dia pra noite. Me parece um equívoco, além disso ele é um programa extremamente caro", disse o secretário.
Segundo o secretário, se depois dos três meses, a pandemia se agravar, o governo teria que estudar quais medidas seriam tomadas. "Nesse cenário teremos mais tempo para analisar um pouco mais de focalização, de atenção ao custo do programa, isso terá de ser feito".
Sachsida então defendeu o fortalecimento e a reestruturação dos programas sociais. "Será que não faz muito mais sentido nós pegarmos os programas sociais que não funcionam e transferimos o dinheiro para programas sociais que efetivamente funcionam?"
A ampliação da vigência do auxílio está sendo discutida dentro do governo. No início da semana, o secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, admitiu que medidas como o auxílio emergencial podem ter "vindo pra ficar". Um dia depois, o Ministério da Economia divulgou uma nota afirmando que o auxílio não será permanente, mas que estão em estudo melhorias nos programas de transferência de renda.
RetomadaO secretário afirmou que sem as reformas estruturais que o ministério defende, como o marco regulatório do saneamento e uma mudança na lei de falências, a retomada da economia será mais devagar. "Nos moldes atuais, ela não vai ser muito rápida. Será que é possível termos um crescimento em V? Possível é, para isso acontecer, nós teríamos que avançar numa agenda de reformas muito grande", afirmou.
O crescimento em V ao qual o secretário se refere é uma visualização em um gráfico de uma queda muito acentuada na economia seguida de uma recuperação na mesma velocidade e intensidade. Sachsida disse estar otimista com a aprovação das reformas ainda neste ano. No entanto, alertou que caso elas não aconteçam, a crise pode se estender para o ano que vem.
"Se nós usarmos o ano de 2020 para agenda de reformas, nós vamos ter um 2021 muito bom agora se nós insistirmos em cavar mais fundo no buraco, é óbvio que 2021 vai ser um ano ruim também".