A Embraer reportou prejuízo líquido de R$ 1,27 bilhão no primeiro trimestre de 2020.
O valor é superior ao prejuízo registrado nos três primeiros meses do ano passado, de R$ 160,8 milhões.
O prejuízo líquido ajustado (excluindo-se impostos e itens especiais) foi de R$ 433,6 milhões de janeiro a março deste ano, também superior ao prejuízo reportado um ano antes, de R$ 229,9 milhões.
Segundo a companhia, os resultados negativos incluem itens especiais relacionados aos impactos da Covid-19, de R$ 163,1 milhões em “provisão para devedores duvidosos nas contas a receber, uma vez que a empresa adotou uma abordagem mais conservadora no contexto da pandemia da Covid-19”, informou.
Também houve variações negativas no valor da participação da Embraer na Republic Airways Holdings, de R$ 108,6 milhões.
Segundo a empresa, ainda não houve nenhum cancelamento de pedidos de aeronaves. A Embraer disse que está ajustando o cronograma de entrega para alguns clientes, o que provocará adiamentos.
LIQUIDEZ
Mesmo com os resultados negativos, a Embraer informou ao mercado que a liquidez da companhia “permanece sólida”, tendo fechado o primeiro trimestre de 2020 com um caixa de R$ 12,9 bilhões.
A dívida era de R$ 19,9 bilhões, com grande parte dela com vencimento a partir de 2022, resultando em uma dívida líquida de R$ 6,92 bilhões. No primeiro trimestre de 2019, a dívida líquida era de R$ 4,30 bilhões.
Em 31 de março de 2020, a carteira de pedidos firmes a entregar da Embraer totalizava US$ 15,9 bilhões.
“A Embraer continua avaliando financiamentos adicionais para melhorar ainda mais sua posição de caixa”, informou a empresa.
Fontes do mercado informam que estão em ritmo acelerado negociações da Embraer para obter financiamento junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a bancos privados, no valor de US$ 600 milhões (R$ 3,3 bilhões). O dinheiro pode ser liberado nas próximas semanas.
Por fim, a Embraer manteve suspensas as estimativas financeiras e de entregas para 2020, em razão das incertezas relacionadas à pandemia da Covid-19.
Em conferência pela internet, a empresa reforçou que atendeu todas as exigências do acordo comercial com a Boeing, que rompeu a negociação em 25 de abril.
A fabricante brasileira segue em processo de arbitragem contra a companhia norte-americana.
ENTREGAS
A Embraer entregou 14 jatos no primeiro trimestre de 2020, sendo cinco comerciais e nove executivos (cinco leves e quatro grandes).
O volume é um dos piores da história da companhia desde 2000 e o menor para o primeiro trimestre ao menos desde 2016.
As entregas de 2020 foram 36% menores do que as vendas do primeiro trimestre de 2019, quando a empresa entregou 22 aeronaves.
A queda na entrega de aviões comerciais foi de 54,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2019: 5 contra 11. A aviação executiva recuou 18%: 9 ante 11.
OPINIÃO
‘Vivemos momentos sem precedentes’, diz CEO da Embraer
O presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, avaliou o atual momento da indústria aeronáutica como “sem precedentes”, em razão da pandemia da Covid-19, que trouxe, segundo o executivo, “impactos significativos à nossa indústria, volatilidade ao mercado e incertezas a nossos clientes e fornecedores”.
Gomes Neto disse que, nesse momento, a saúde e segurança dos funcionários é prioridade e a empresa tem feito higienização de áreas comuns e em estações de trabalho, com uso de máscara, adaptação de refeitórios e áreas de trabalho e acompanhamento médico.
O executivo disse que outra prioridade tem sido preservar o caixa da companhia, com controle rigoroso de despesas.
A companhia segue ainda com a reintegração da aviação comercial, separada do restante da empresa por causa do acordo com a Boeing, desfeito no final de abril.
“Temos muitas oportunidades para tornar a Embraer uma organização mais simples, ágil e eficiente. Tenho certeza de que a Embraer sairá dessa crise com mais eficiente. Uma organização mais simples e mais eficiente”, disse Gomes Neto.