No vídeo da reunião do conselho de ministros do último dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não iria esperar "'foder' minha família toda de sacanagem, ou amigo meu" ao citar a necessidade de trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, chamado por Bolsonaro de "gente da segurança nossa no Rio". A fala ocorre em um momento no qual Bolsonaro reclama da falta de informações dos órgãos de inteligência, diz que seus irmãos são perseguidos e que não deseja ver isso.
A divulgação do vídeo foi liberada nesta sexta-feira, dia 22, pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Celso de Mello.
"Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho. Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha a irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército de ... de ... de ... lá de Miracatu se 'foder', 'porra'! Como é perseguido o tempo todo. Aí a 'bosta' da Folha de São Paulo, diz que meu irmão foi expulso dum açougue em Registro, que tava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, tava em São Paulo esse dia. O dono do ... do restaurante do ... do pa ... de ... do açougue falou que ele não tava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família", afirmou.
Em seguida, ele disse: "já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. E isso acabou. Eu não vou esperar 'foder' minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira", disse.
Na avaliação dos investigadores, que assistiram ao vídeo na semana passada, a frase de Bolsonaro refere-se claramente à Polícia Federal no Rio. A versão de defesa do presidente, verbalizada por ele próprio e por seus ministros que prestaram depoimento à PF, é que ele estava reclamando da sua segurança pessoal.
Em um momento anterior da reunião, ele também reclama que não estava sendo informado pelos órgãos de inteligência: "Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações. Eu tenho as... as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. Abin tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô!".
Pouco depois da frase acima, Bolsonaro volta a reclamar: "a questão estratégica, que não estamos tendo. E me desculpe, o serviço de informações nosso, todos, é uma... são uma vergonha, uma vergonha! Que eu não sou informado! E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma... urna extrapolação da minha parte. É uma verdade. Como eu falei, né? Dei os ministérios pros senhores. O poder de veto. Mudou agora. Tem que mudar, pô. E eu quero, é realmente, é governar o Brasil".
Bolsonaro também criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) e disse esperar que ministros da Corte não tomem "certas medidas" sob pena de o Brasil ter "uma crise política de verdade". Exaltado, Bolsonaro disse que não iria "meter o rabo no meio das pernas".
GOVERNADORES.
O presidente ainda criticou os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), Wilson Witzel (PSC) e o prefeito de Manaus, Artur Virgílio (PSDB), e os chamou de "bosta" e "estrume" durante a reunião ministerial na qual ele teria pressionado o então ministro da Justiça Sergio Moro para trocar o comando da Polícia Federal.
"Que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! O que esses caras fizeram com o vírus, esse 'bosta' desse governador de São Paulo, esse 'estrume' do Rio de Janeiro, entre outros, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus, tá um 'bosta' de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um 'bosta'"
Após a exibição, Bolsonaro afirmou que "mais uma farsa (foi) desmontada" com a divulgação do vídeo. "Nenhum indício de interferência na Polícia Federal".
OUTROS MINISTROS.
O encontro teve outras declarações polêmicas, como Abraham Weintraub, da Educação, que falou em "botar esses vagabundos da cadeira, inclusive do STF", e Paulo Guedes, sobre o Banco do Brasil. "Tem que vender essa porra"..