Coluna Social

Eucaristia

Por José Luiz de Souza - Colunista Social |
| Tempo de leitura: 2 min
Luiz Flávio Cappio
Luiz Flávio Cappio

Nascido em Guaratinguetá o carismático Frei Luiz Cappio – leia-se Luiz Flávio Cappio, bispo da Barra, Bahia – sabe arregaçar as mangas da batina quando decide partir para um enfrentamento político pois nunca é indiferente ao que acontece fora do templo. Anos atrás, ele fez duas greves de fome contra a transposição do rio São Francisco, uma obra faraônica que jogou fora milhões de dinheiro público e danificou seriamente os ribeirinhos e a conservação do próprio rio, as mais importantes de todo o Nordeste brasileiro.

E, a atual controversa, gira em torno do movimento "devolvam-nos a Missa" promovida por alguns grupos filo-integristas da Espanha, Argentina e Brasil entre outros países, dirigida a seus bispos, intitulada “Devolvam-nos a Santa Missa” ou “Devolvam-nos a Missa” que pedem a reabertura das igrejas e a volta da Eucaristia durante esses tempos de quarentena orquestrando de forma coordenada o movimento.

Contrário ao movimento, coube ao bispo dom Luiz Flávio Cappio escrever uma carta aberta ao clero, religiosos e seminaristas da diocese, definindo os promotores dessa campanha como “pessoas que não tem nenhum compromisso com a Igreja” identificando esses grupos com aqueles "que criticam o Papa Francisco e a CNBB” e alerta para "ficar atentos para não sermos enganados".

O bispo também alerta para os números no da pandemia no Brasil e particularmente na Bahia

E se os números são sérios, dom Luiz Cappio considera a reação do presidente Bolsonaro ainda mais preocupante lembrando o fato de quando foi perguntado pelos jornalistas sobre a situação, o presidente respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”. A situação mais complicada é vivida em Manaus, a que o bispo se refere na carta, narrando alguns elementos de uma realidade cada vez mais dantesca, como mostra o fato de que “nem se levam mais os infectados para os hospitais pois não existem mais vagas, mas das casas já vão direto para serem sepultados, depois de terem recebido o visto do médico sem nem mesmo tirarem o corpo de dentro dos carros de transportar defuntos e serem enterrados em valas comuns”.

Por fim, dom Luiz Cappio espera que esse momento de pandemia que causa "tanto sofrimento e dor", possa levar a Igreja a viver "em comunhão, em unidade", algo cada vez mais difícil com esse tipo de atitude, própria de quem se preocupa em satisfazer seu próprio ego, colocando em risco a vida de outras pessoas.

Luiz Flávio Cappio

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