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Argentina quer voltar a pagar dívida com o FMI apenas a partir de 2023

Por Agência O Globo |
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O presidente argentino Alberto Fernández
O presidente argentino Alberto Fernández

As negociações para reestruturar a dívida externa da Argentina, que se tornou insustentável, estão aumentando as esperanças e, ao mesmo tempo, as tensões, com o governo e seus credores passando por uma fase final sensível para chegar a um acordo sobre o pagamento de cerca de US$ 65 bilhões.

O ministro da Economia, Martín Guzmán, confirmou, em entrevista concedida ao jornal Valor Econômico, que a Argentina pretende obter uma carência de três anos em sua dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O governo está preparando uma emenda à sua proposta, que já havia melhorado uma vez, e que adoçaria sua oferta original feita em abril, enquanto os credores atenuaram suas demandas para que as partem cheguem a um denominador comum. Segundo uma fonte informou segunda-feira à Reuters, o governo argentina deverá revelar a nova proposta até esta sexta-feira, dia 12.

A extensão adicional ocorre depois de a Argentina deixar de fazer um pagamento de juros de bônus no mês passado e conforme autoridades e credores tentam aproximar os dois lados em prol do fechamento de um acordo mais amplo de reestruturação.

Em abril, o governo argentino afirmou que não tinha como honrar com o pagamento de sua dívida nas mãos de credores privados e pediu três anos de carência para voltar a pagá-la somente em 2023.

Nesta quinta-feira, em entrevista ao Valor Econômico, o ministro da Economia, Martín Guzmán, confirmou que a Argentina pretende obter uma carência de três anos em sua dívida com FMI e que, diferentemente do que previa o acordo original com o Fundo, o país não tem condições de pagar as parcelas do empréstimo, nem mesmo se chegar a um acordo com os credores privados para reestruturar sua dívida externa.

"Vamos ter de negociar um novo programa, simplesmente porque a Argentina não tem capacidade de efetuar pagamentos com os credores privados e tampouco com o FMI", afirmou Guzmán ao Valor.

Os bônus da Argentina, que caíram no ano passado, aumentaram no mês passado à medida que as negociações avançavam, apesar da diferença entre o que a Argentina está disposta a pagar e o que os grupos de credores desejam.  Fontes afirmam que o governo estaria disposto a chegar a um valor de 49 centavos por dólar de bônus reestruturado, mas os credores querem 55 centavos.

"No geral, acreditamos que os bônus argentinos têm mais espaço para se recuperar", escreveu Carlos de Sousa, da Oxford Economic, em nota na terça-feira, acrescentando que a oferta deve melhorar nos próximos dias.

No entanto, antes do fim do prazo de 12 de junho, as tensões aumentam à medida que os negociadores de ambos os lados pressionam pelo melhor acordo possível. Espera-se que o prazo seja prorrogado.

Uma fonte de detentores de títulos que estão a par das discussões criticou o ministro Martín Guzmán por tentar excluir algumas pessoas da mesa de negociações. A pessoa, que pediu para não ser identificada, disse que os dois maiores grupos de acionistas, incluindo BlackRock, Fidelity e Ashmore, estavam "unidos" para refutar esse comportamento e que Guzmán "está arriscando atrapalhar o processo".

Por sua vez, uma fonte oficial do governo disse que são os credores responsáveis ??por decidir quem está na mesa de negociações.

Alejandro Hardziej, da Pala Asset Management, disse que o fundo havia vendido recentemente metade de suas participações argentinas, pois havia um aumento adicional limitado, mas observou que "mais cedo ou mais tarde haverá um acordo, pois a diferença entre as partes é pequena".

(*) com informações do Valor

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