Cerca de 1,5 bilhão de estudantes - mais de 90% - estão em casa por causa do fechamento das escolas. O dado é da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Enquanto algumas escolas optaram por manter as aulas no formato on-line, outras optaram por parar ainda por tempo indeterminado.
No caso de Volta Redonda (RJ), por exemplo, a prefeitura anunciou que não há previsão de que as escolas públicas sejam reabertas em 2020, mas garantiu que o ano não será perdido uma vez que as aulas seguirão sendo realizadas de forma on-line. O evento causou burburinho nas redes sociais. Mas fato é que a pandemia tem colocado luz sobre um dos principais problemas do país: a situação do sistema de ensino.
“Nós já tínhamos uma desigualdade social e, diante da pandemia, o impacto tem sido muito maior”, afirmou a professora Débora Garofalo, eleita uma das dez melhores do mundo, primeira mulher e primeira sul -americana finalista no Global Teacher Prize, considerado o “Nobel da Educação”. Segundo ela, municípios têm se esforçado em promover um ensino híbrido, com a utilização de rádio e TV, entre outras mídias.
“Muitos professores ainda têm receio de utilizar a tecnologia. Então, para eles é muito difícil se adequar, procurar um suporte digital para poder ministrar aulas. Mas, não fazer nada aumentaria ainda mais a distância”, avaliou.
PERDAS E DANOS.
Tecnologia é um meio, não um fim. E nada vai substituir a interação. Esses são os lembretes dos especialistas em educação. “Há perdas para todos se considerarmos que ninguém estava preparado para o que está acontecendo, mas ainda não é possível dimensioná-las”, afirmou Patricia Blanco, presidente do instituto Palavra Aberta.
“Ficou evidente a urgência de inserirmos o nosso sistema educacional, no que tange à experiência do aluno, formação dos professores e demanda de recursos pedagógicos, no universo digital. Há também perdas que vão além do conteúdo, como as que dizem respeito a convivência e relacionamento entre alunos que só a presença física na escola proporciona e que são fundamentais para o desenvolvimento social das crianças”.
Para as especialistas, na retomada, será preciso ter um cuidado extra para não aumentarmos ainda mais as desigualdades educacionais. “É essencial que, no plano de retorno, a gente não deixe nenhum estudante para trás. Mesmo que se faça aulas de reforço para aqueles que não tiveram qualquer condição de fazer as atividades propostas a distância”, disse Débora.
EM CASA.
Por ora, segundo o psicólogo Roberto Debski, pais e professores precisam estar atentos a garotada. “Hoje, crianças de várias idades precisam passar horas sentadas sozinhas na frente de um computador ou celular, assistindo aulas, fazendo tarefas e até mesmo provas, o que pode gerar diversos tipos de problema, como sobrecarga visual, de postura, e mesmo estresse e ansiedade para se adaptarem a uma carga horária intensa com esse formato ao qual não estavam acostumadas, até então”.
“A falta de contato com os amigos e das atividades externas também pode se mostrar prejudicial para as crianças. Mas, uma hora tudo isso vai passar. E, mesmo nos momentos de crise, que são altamente desafiantes, podemos com diversos recursos interiores e exteriores aprender a superar e conquistar novos aprendizados”, concluiu ele.