Frejat lança nas plataformas digitais, nesta quinta-feira, "Ao redor do precipício", seu primeiro álbum desde 2008. Foram 12 anos evitando o formato, pois não via aproveitamento comercial nem artístico das coleções de música.
Mas o mercado mudou, e a cabeça de Frejat, hoje com 58 anos, também. Após reparar que os artistas que só lançam singles nada tinham a ver com seu perfil, e que uma penca de composições aguardava sinal verde para ganhar fones e caixas de som por aí, ele cedeu.
O álbum foi gravado entre novembro e maio — respeitando o isolamento social, já que Frejat tem estúdio próprio —, e conta com 13 faixas, produzidas em quarteto: Frejat, Kassin, Mauricio Negão e Humberto Barros.
Entre elas, "E você diz", um baião fruto de parceria inédita dele com Jards Macalé e Luiz Melodia, morto em 2017. O projeto gráfico é assinado por Júlia Frejat, sua filha mais nova, de 20 anos — o mais velho, Rafael, de 24, gravou diversos instrumentos na faixa "Todo mundo sofre". Frejat passa a quarentena isolado com eles e com a empresária Alice Pellegatti, com quem é casado desde 1987.
De lá, observa as manifestações contra o racismo e em defesa da democracia dos últimos dias e critica a explosão do ódio e do preconceito no Brasil. E admite que, entre os fãs do rock mainstream, cenário do qual faz parte, muitos defendem pontos de vista conservadores e preconceituosos.
"Não tenho dúvida de que mesmo entre o meu público há pessoas extremamente reacionárias, e isso é constrangedor. Mas o gosto musical muitas vezes não condiz com a personalidade. E não tem como você aferir e nem controlar isso", pondera Frejat. "De repente, alguém com princípios de conduta horrorosos é meu fã. O que fazer? Não tenho como mexer nisso. Mas não posso dizer que tenho orgulho de tê-lo como fã".