A ética socrática nos ensina que, antes de divulgarmos qualquer informação, devemos submetê-la a três peneiras: é verdade? É útil? É o melhor que você pode dizer a respeito desta questão (bondade)?
A verdade deve ser sempre o primeiro valor a nortear a informação fornecida pelo agente público. A verdade não é a convicção do agente à 'sua verdade', mas deve ser lastreada em fundamentos teóricos, dados, pesquisas e opiniões de autoridades. A informação é verdadeira quando todos, mesmo tendo opiniões divergentes, podem chegar a ela se a buscar pelos caminhos corretos.
Quanto à utilidade, pode ser que a verdade não seja útil para o interesse do agente ou para o interesse do Órgão, mas, mesmo assim, o agente deve informar. Este juízo de utilidade é de domínio absoluto do cidadão. Quando a informação contrariar os interesses do agente ou do Órgão, ele deve explicar e justificar, mas nunca omitir, camuflar ou distorcer.
O juízo de utilidade estará sempre contaminado pelo interesse eleitoral e pela necessidade de sustentação da imagem do agente ou de sua gestão. Caberá ao responsável pela Comunicação Oficial identificar estes riscos e apurar a utilidade para o cidadão, a utilidade para a compreensão dos problemas e a utilidade para que o cidadão formule, por si só, sua opinião. Os interesses e os pontos de vista podem ser pessoais, mas a informação é pública e republicana. Aqui, vale a máxima kantiana: só pode ser útil o que é bom. Só é bom o que é verdadeiro. A terceira peneira é a da bondade que, no ambiente público, deve ser compreendida como o compromisso de dispor ao cidadão todos os dados e nuances de determinada questão. O compromisso de ser generoso para com o cidadão, sem preocupações de se proteger, sem preocupações de esconder dados, ou seja, é ser generoso neste sentido de não se ater a artimanhas.
A informação deve revelar este perfil de não esconder dados sob nenhuma circunstância. Deve-se permitir a análise crítica de especialistas, do cidadão comum e, inclusive, da oposição, uma vez que o dado é de domínio público. Cabe ao agente público a defesa de suas escolhas. E até para que haja compreensão destas escolhas, o agente deve disponibilizar as informações. A bondade na Administração Pública deve ser entendida na Comunicação Pública como uma postura de alguém motivado pelos deveres de moralidade e lealdade.
É o melhor que se deve informar? Este teste exige do agente e do Órgão a busca pela melhor informação. Aquela mais próxima do fim maior do interesse público. Aquela que permitirá a todos os cidadãos a compreensão do problema e seus contextos.
Em tempos de pandemia e fake news, somente a informação correta e verdadeira pode ser útil e é a melhor vacina..