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Bolsonaro ataca líder da OAB que teve pai desaparecido durante ditadura

Por Da redação@jornalovale |
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Bolsonaro durante cerimônia de Brevetação dos Novos Paraquedistas
Bolsonaro durante cerimônia de Brevetação dos Novos Paraquedistas

O presidente Jair Bolsonaro atacou o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, ao dizer que pode "contar a verdade" sobre como o pai dele, que desapareceu na ditadura militar. "Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade", afirmou Bolsonaro a jornalistas.

Felipe é filho de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, integrante do grupo Ação Popular (AP), organização contrária ao regime militar. Ele foi preso pelo governo em 1974 e nunca mais foi visto. Em 2012, no livro "Memórias de uma guerra suja", o ex-delegado do Dops Cláudio Guerra diz que o corpo de Fernando foi incinerado no forno de uma usina de açúcar em Campos.

Bolsonaro questionou a atuação da OAB ao falar das investigações sobre Adélio Bispo, responsável pela facada contra o presidente no ano passado, durante a campanha eleitoral. Adélio foi considerado inimputável pela Justiça por transtorno mental. O presidente não recorreu.

"Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados (de Adélio)? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?", disse Bolsonaro.

"Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro", disse Bolsonaro em coletiva de imprensa.

Sobre o fato de não ter recorrido no processo da facada, Bolsonaro disse que "Adélio se deu mal". "Se eu recorresse, ele seria julgado não por homicídio, mas tentativa de homicídio, em um ano e meio ou dois estaria na rua. Como não recorri, agora é maluco o resto da vida. Vai ficar num manicômio judicial, é uma prisão perpetua. Já fiquei sabendo que está aloprando por lá. Abre a boca, pô", declarou.

Em junho, a Ordem dos Advogados do Brasil já havia se manifestado sobre fala semelhante do presidente contra a instituição. "Para que serve essa OAB?", disse Bolsonaro, citando o boato a respeito de Adélio. "O presidente repete uma informação falsa, que inúmeras vezes já foi desmentida, de que o sigilo telefônico de Adélio Bispo é protegido pela OAB", diz a nota, assinada por Felipe Santa Cruz.

Em 2011, ainda como deputado federal, Bolsonaro afirmou em palestra na UFF (Universidade Federal Fluminense) que Fernando Santa Cruz, pai do agora presidente da OAB, teria morrido "bêbado" após pular o carnaval.

À frente da OAB-Rio, Felipe iniciou movimento em 2016 para pedir ao Supremo Tribunal Federal a cassação do mandato de deputado federal de Jair Bolsonaro por "apologia à tortura ". Ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff, o então parlamentar fez uma homenagem a Carlos Brilhante Ustra, que comandou o Doi-Codi de São Paulo, centro de tortura durante a ditadura.

Presidente recua e afirma que pai de líder da OAB não foi morto por militares

Após tomar grandes proporções na internet e virar alvo de críticas e cobranças, o Presidente Jair Bolsonaro resolveu comentar sobre a declaração relacionada ao pai do presidente a OAB. Em uma transmissão ao vivo no seu Facebook oficial, enquanto cortava o cabelo, Bolsonaro disse: "Estão me criticando, que se eu sei, tenho que falar. O que eu sei da história? O pai do Santa Cruz integrava a AP, Ação Popular de Recife, era o grupo terrorista mais sanguinário que existia", disse. "Não foram os militares que mataram ele, não. É muito fácil culpar os militares por tudo que acontece", afirmou. O presidente não deu mais detalhes de como conseguiu a informação, se atendo apenas a dizer que as teve "com pessoas com quem conversei na época, oras bolas. Conversava com muita gente".

Bolsonaro é cruel, diz Santa Cruz

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, afirmou, nesta segunda-feira), que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) age com "crueldade e falta de empatia" ao dizer que poderia explicar como o pai dele desapareceu na ditadura militar (1964-1985).

Por meio de nota, ele disse que, "goste ou não o presidente", o que une sua geração com a de seu pai é "o compromisso inarredável com a democracia", e "por ela estamos prontos aos maiores sacrifícios".

"O mandatário da República deixa patente seu desconhecimento sobre a diferença entre público e privado, demonstrando mais uma vez traços de caráter graves em um governante: a crueldade e a falta de empatia", afirmou o presidente da OAB.

Santa Cruz ainda cobrou que Bolsonaro revele o que sabe sobre "todos os demais desaparecidos". "Se o presidente sabe, por 'vivência', tanto sobre o presente caso quanto com relação aos de todos os demais 'desaparecidos', nossas famílias também querem saber".

REPÚDIO.

A diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, repudiou na tarde desta segunda, a declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), sobre a morte de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, um dos desaparecidos políticos na ditadura militar e pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil.

"O Brasil deve assumir sua responsabilidade, e adotar todas as medidas necessárias para que casos como esses sejam levados à justiça. O direito à memória, justiça, verdade e reparação das vítimas, sobreviventes e suas famílias deve ser defendido e promovido pelo Estado Brasileiro e seus representantes", disse Jurema.

Em nota oficial, OAB repudia declarações feitas contra presidente da entidade

Em nota oficial, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se manifestou e repudiou as declarações feitas nesta segunda-feira pelo presidente da República, Jair Bolsonaro e prestou solidariedade à família de Felipe Santa Cruz, atual presidente da entidade, e filho de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, desaparecido durante o regime militar. "Apresentamos nossa solidariedade a todas as famílias daqueles que foram mortos, torturados ou desaparecidos, ao longo de nossa história, especialmente durante o Golpe Militar de 1964, inclusive a família de Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, atingidos por manifestações excessivas e de frivolidade extrema do Senhor Presidente da República", diz a nota oficial da entidade.

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