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'Agenda brasileira foi sequestrada por criminosos', afirma Barroso

Por Xandu Alves@xandualves10 |
| Tempo de leitura: 3 min
Visita. O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, durante palestra realizada em São José dos Campos nesta sexta-feira, durante o evento 'Compilance, transformando a sociedade'
Visita. O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, durante palestra realizada em São José dos Campos nesta sexta-feira, durante o evento 'Compilance, transformando a sociedade'

Bem humorado, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso avisou a plateia: "Não falo sobre política. Não saberão quais as minhas preferências e em quem votei".

O auditório lotado esperava a palestra do ministro sobre o tema "Cidadania", proferida durante uma hora no final da tarde desta sexta-feira, em São José dos Campos, no fórum "Compliance, transformando a sociedade", promovido pela da ACI (Associação Comercial de Industrial).

Mas Barroso não seguiu a norma ao pé da letra. Ao falar de corrupção, ele comentou os vazamentos de diálogos de membros da Operação Lava Jato, publicados pelo site The Intercept Brasil. E foi bastante crítico.

"Parte da agenda brasileira foi sequestrada por criminosos, gente eufórica com os hackeamentos, celebrando o crime. Há mais fofoca do que fatos relevantes", afirmou.

E completou: "Se tiver algo errado, apesar de todo estardalhaço, nada encobre o fato de que a Petrobras foi devastada na corrupção, não importa o que saia das gravações".

Barroso começou a palestra com uma reflexão sobre o país nos últimos 60 anos, comparando os avanços com os da Coreia do Sul. Arrematou: "é preciso reconhecer que em 60 anos erramos muito".

O ministro listou três erros fundamentais: investimento pouco eficiente em educação básica, excesso de estatismo e reserva de mercado e apropriação privada do estado por elites econômicas e políticas, e aí foi duro no diagnóstico.

"Essa apropriação privada do estado não tem apenas desvio de recursos. O maior problema talvez seja a quantidade de decisões erradas que se tomam para atender interesses da corrupção."

Para Barroso, tais erros atrasaram o país e têm responsabilidade coletiva: "Nesses últimos 60 anos, tivemos militar e governos mais liberais e de esquerda. A culpa é coletiva".

Afirmando ser otimista, Barroso disse que o país vive um "momento de transformação", de uma sociedade que se deu conta de que país estava "aquém de suas possibilidades".

"Apesar da fotografia sombria, os países passam pelo pior para se aprimorarem. Esse é um momento importante, um novo começo. Tenho visão construtiva e positiva", completou.

Barroso: 'Imensa orquestração contra combate à corrupção no país'

Sem citar a Operação Lava Jato, o ministro Luís Roberto Barroso defendeu enfaticamente o combate à corrupção durante palestra em São José. "Estamos corajosamente enfrentando, apesar de todas as dificuldades". Segundo ele, a corrupção no Brasil foi "estrutural, sistêmica e institucionalizada", um "produto de esquemas profissionais de arrecadação e distribuição de dinheiro público desviado".

Sobre a política, Barroso disse que se praticou no Brasil a "lógica da desonestidade", com o "mau exemplo vindo de cima", o que faziam as pessoas se sentirem "autorizadas a se comportar mal". Comparou o país à Itália nos anos 1990, na operação "Mãos Limpas": "Demonizaram o judiciário e perseguiram juízes e procuradores que enfrentaram a corrupção". No Brasil, disse que há "imensa orquestração contra esse enfrentamento das práticas desonestas". E concluiu: "Temos que empurrar a história na direção certa".

Pedindo 'compliance' ao país, ministro do STF diz que 'nada será como antes'

Na última parte de sua palestra, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, destacou aspectos que considera positivos na sociedade brasileira, como os espaços para a "imprensa livre e independente" e um judiciário "com problemas de eficiência, mas independente".

Segundo ele, o movimento de combate a corrupção terá vida longa no país e mudará por completo a nação. "Nada encobre a corrupção sistêmica e institucionalizada no Brasil. Crime não pode compensar. Nada será como antes", disse Barroso, momento em que foi aplaudido.

"A sociedade tem demanda por integridade. Compliance é palavra nova no Brasil, não havia nem palavra em português para identificar ideia de integridade", brincou o ministro.

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