O uso desregrado da floresta amazônica para fins de agricultura e pecuária pode aumentar em mais de 70% as áreas com alta probabilidade de queimada até o final deste século, na comparação com os padrões atualmente observados. Um desastre completo para o ecossistema.
Este cenário inclui, por exemplo, a redução da efetividade das áreas protegidas, a pavimentação de novas rodovias e o aumento do desmatamento.
É a conclusão de um estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em colaboração com o Cemaden (Centro de Pesquisa e Monitoramento de Desastres) e as universidades de Exeter (Reino Unido) e de Estocolmo (Suécia).
Intitulado "Efeitos de cenários de mudanças climáticas e de uso do solo na probabilidade de fogo durante o século 21 na Amazônia brasileira", o trabalho foi publicado na semana passada na revista Global Change Biology.
O relatório reforça a necessidade de controlar o desmatamento da Amazônia, trabalho de observação e produção de dados do Inpe que vem sendo criticado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).
De acordo com os autores, o uso planejado e sustentável da terra na Amazônia pode minimizar drasticamente a degradação florestal provocada pelo aumento de incêndios devido às mudanças climáticas.
Quando combinado com o cenário pessimista de mudança climática do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), que projeta maiores emissões de gases de efeito estufa ao longo do século 21, a área com alta probabilidade de incêndios poderia aumentar em até 110%.
"Se continuarmos removendo a cobertura florestal na Amazônia, estaremos potencializando a probabilidade de degradação das florestas remanescentes, com consequências para a estabilidade dos estoques de carbono e serviços ambientais", disse Marisa Fonseca, pesquisadora de pós-doutorado no Inpe e principal autora do estudo.
Os resultados indicam que mais de 1 milhão de quilômetros quadrados em terras indígenas ou áreas protegidas estariam sujeitas a incêndios florestais..