Ideias

O BALANÇO BOLSONARO

Por |
| Tempo de leitura: 2 min
Recorte Jair
Recorte Jair

Hora do balanço. Chegando ao oitavo mês de governo Jair Bolsonaro (PSL) qual é o balanço? Qual é o saldo acumulado de janeiro a agosto? Eleito na esteira do sentimento de indignação do eleitor brasileiro, castigado ano após ano por graves escândalos de corrupção que abalaram as mais altas estruturas da República, o capitão reformado prometeu a seus eleitores que, uma vez no Palácio do Planalto, implantaria uma nova política, em oposição à velha política que corroeu as entranhas do poder em Brasília, corrompendo uma sopa de letrinhas de siglas partidárias. Bolsonaro cumpriu a promessa?

Em um governo desgovernado, que transformou seu período de lua de mel em risco de divórcio, a nova política nasceu velha, com a experiência de quem habitou o baixo clero do Congresso por 28 anos, sem a menor relevância ou protagonismo, sendo adepto, habitué, do fisiologismo da velha, carcomida e nefasta política. E o balanço? Ele confirma: o novo, tão afeito a práticas condenáveis como nepotismo e assombrosos casos de funcionários fantasmas, entre outras ações, era velho.

No início de (des)governo, que transformou-se em uma fábrica de crises, Bolsonaro mantém-se em campanha constante, portando-se como presidente só daqueles que o elegeram, esforçando-se para construir muros ao invés de pontes que pudessem unir o país, abusando da estratégia de apostar nas pautas morais, devido à ausência absoluta de resultados efetivos ou da falta de projeto para o país.

Um presidente que se assumiu inepto para a função, que trata de bijouterias de nióbio em meio aos encontros do G20 e praticamente transfere para o Congresso a responsabilidade de conduzir a reforma previdenciária.

Mais balanço? Isso sem citar o laranjal do PSL, Coaf, filhos que pensam que são presidentes e derrubam até ministros, questionamentos aos dados científicos e pesquisas em detrimento de teses que não têm fundamento, cortes na educação, enxurrada de fake news, conceitos esdrúxulos e teses preconceituosas.

Crise, crise, crise, e mais crise...

O brasileiro, em grande medida, sabe de tudo isso devido ao exercício do jornalismo, que mantém a visão crítica independentemente da sigla ou cor partidária.

Com um viés autoritário, Bolsonaro ataca a imprensa sistematicamente, na tentativa de atacar o carteiro pelo teor da mensagem.

Nesta terça-feira, o presidente disse que a MP (medida provisória) que acaba com a obrigação de empresas de capital aberto publicarem seus balanços em jornais, editada ontem, retribui parte dos ataques que ele diz ter recebido da mídia. Uma clara tentativa de tirar receitas da imprensa, que ele vê como inimiga.

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) estranhou a atitude e, por nota, afirmou que, "além de ir na contramão da transparência de informações exigida pela sociedade, a MP afronta parte da Lei 13.818". Claramente, o que Bolsonaro quer é que o brasileiro não tenha acesso, de forma transparente, àquilo que ele faz e ao que ele deixa de fazer.

Quer esconder o seu balanço..

Comentários

Comentários