Ao menos seis cidades do estado de São Paulo foram alvo de oito assaltos do tipo ‘novo cangaço’ desde 2017, como ocorreu na madrugada desta segunda-feira (30) em Araçatuba.
Também conhecido como “vapor”, esse tipo de crime se caracteriza por ações rápidas, violentas, com muitos bandidos e disparos de armas de fogo, tomada de reféns e uso de explosivos.
Normalmente, são planejados em cidades de médio e pequeno porte, que tem um efetivo menor de policiais. Nas ações, os criminosos costumam cercar os batalhões de polícia.
Com cerca de 200 mil habitantes, Araçatuba viveu duas horas de terror na madrugada desta segunda, com três agências bancárias atacadas por criminosos fortemente armados. Ainda não há informações sobre o volume de dinheiro roubado.
Participaram da ação, segundo a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), mais de 20 criminosos que usaram 10 veículos, fizeram reféns e queimaram carros para impedir a ação da polícia. Alguns dos reféns foram amarrados no teto de carros para servir de escudo humano.
Houve duas trocas de tiros entre policiais e criminosos, com saldo de um bandido morto e dois presos, um deles ferido. Da ação dos criminosos, duas pessoas morreram e três ficaram feridas, com uma delas perdendo os pés em um artefato explosivo.
As buscas à quadrilha estão em pleno vapor, conforme explicou na manhã desta segunda o coronel Álvaro Camilo, secretário estadual interino de Segurança Pública.
“Temos de 350 e 400 homens e quatro Baeps, COI, Gate e Polícia Civil nas investigações colhendo digitais para tentar identificar os bandidos, além de dois helicópteros Águia. Estamos vasculhando as cidades da região.”
HISTÓRICO
No ano passado, Araraquara (novembro) e Botucatu (julho) foram alvo desse mesmo tipo de crime violento, além de Avanhandava e Ourinhos.
Em Araraquara, 20 criminosos fortemente armados invadiram uma agência da Caixa Econômica Federal e levaram cerca de R$ 5 milhões em dinheiro e joias.
Em Botucatu, uma quadrilha com 40 bandidos atacaram três agências bancárias. Um dos ladrões foi morto pela polícia.
A mesma Botucatu já havia sido alvo do ‘novo cangaço’ em dezembro de 2019, quando também 40 criminosos atacaram uma agência bancária. Um casal foi feito refém.
Em abril de 2019, Guararema foi escolhida por 25 bandidos que atacaram duas agências bancárias e fizeram uma família de refém. A polícia reagiu e 11 criminosos foram mortes em trocas de tiros.
Em outubro de 2017, a mesma Araçatuba já havia sido atacada por marginais, com ao menos 30 criminosos invadindo uma empresa de valores. Um policial morreu na ação.
Além das cidades paulista, Cametá (PA) e Criciúma (SC) registraram ataques parecidos do ‘novo cangaço’ no ano passado, também com muita violência e armamento pesado, inlcuindo fuzis e explosivos. Na cidade catarinense, o bando levou cerca de R$ 80 milhões de agências bancárias.
POLÍCIA
“Não é a primeira vez que acontece, mas nesse ano não tivemos assalto a banco naquela região”, disse o coronel Camilo sobre Araçatuba.
Segundo ele, o estado chegou a registrar mais de 500 ataques a caixas eleltrônicos em 2003 e o crime reduziu a nove neste ano. “O trabalho da polícia tem sido forte. Esses crimes têm reduzido”.
De acordo com os números da SSP, o estado acumula 10 roubos a banco neste ano, até julho, contra 15 em igual período do ano passado. Na mesma comparação, o Vale do Paraíba registra um roubo em cada ano.
Sobre o ‘novo cangaço’, o secretário interino de Segurança Pública disse que há indícios de que as quadrilhas são organizadas e têm treinamento militar para fazer esse tipo de ação violenta.
“Agora vai o trabalho de inteligência para chegar nessas pessoas. Ainda é cedo para fazer qualquer relação com quadrilhas existentes e vamos focar nas investigações”, disse Camilo.