Violência

Agosto Lilás: pandemia e crise econômica colocam mulher em 'cárcere invisível'

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Violência contra a mulher
Violência contra a mulher

A crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19 pode ter agravado a situação de mulheres que enfrentam violência dentro de casa. A avaliação é feita por Marcela de Andrade, diretora-executiva do Centro Dandara, de São José dos Campos, que recebe constantes pedidos de ajuda.

Isso, porque o momento teria promovido um aumento na insegurança alimentar e, inclusive, de moradia, já que as dificuldades financeiras podem ter crescido e limitado, ainda mais, as condições para que as mulheres deixem a casa que convivem com o agressor.

"Muitas mulheres estão em cárcere, um cárcere invisível em que elas querem se libertar, mas neste momento não têm condições", explicou, Marcela. "Essas mulheres estão invisibilizadas, estão enclausuradas em um momento em que não podem denunciar por inúmeros motivos, com a dependência psicológica muito mais agravada. Muitas estão sobrevivendo de doações, estão desempregadas, ainda tem a preocupação com a Covid", continuou.

EMPREGO.

Dados divulgados neste ano pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontam que, com a pandemia, a participação de mulheres caiu para 45,8% no mercado de trabalho no terceiro trimestre do ano passado, no nível mais baixo desde 1990.

Com as mulheres como as mais afetadas, a ausência de condições financeiras para que busquem ajuda também cresce. Com isso, a subnotificação da violência aparece.

"Há outras grandes preocupações [além da violência], há a pandemia, há a grande preocupação de como o filho volta para a escola. É tudo muito complexo", acrescentou, Marcela.  

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