Economia

Aumento da taxa de juros tenta frear inflação e o consumo a médio prazo, diz economista

Por Marcos Eduardo Carvalho |
| Tempo de leitura: 2 min
Banco Central
Banco Central

A taxa básica de juros anuais, a Selic, teve um aumento de 4,25% para 5,25% na semana anterior, após definição pelo Copom (Comitê de Política Monetária), órgão ligado ao Banco Central.

Essa foi a maior elevação da taxa desde outubro de 2019. Também foi a maior alta percentual desde 2003.

No entanto, como isso impacta no dia a dia do cidadão? Para quem vai comprar um imóvel ou um carro financiado, por exemplo, a diferença é grande. E, para quem faz aplicações financeiras, também há diferença.

Segundo a economista e assessora de investimentos Bruna Moura, da Plátano, de São José dos Campos, os juros devem aumentar ainda mais até o final de ano, por conta da expectativa de aumento da inflação.

“A previsão feita pelo mercado financeiro elevou a Selic de 7% para 7,25% ao ano, para o fim de 2021, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central. A expectativa é que uma nova elevação de um ponto percentual aconteça já na próxima reunião, em setembro”, comentou Bruna a OVALE

“Nota-se que o ajuste da taxa de juros feito pelo Copom leva em consideração as expectativas de inflação. Com a inflação se revelando maior que o esperado, a manobra de elevar a Selic visa encarecer o crédito e controlar os preços. A Selic é a principal ferramenta que o Banco Central utiliza para controlar o volume de recursos em circulação”, disse.

Segundo ele, esse aumento dos juros desestimula o consumo no médio prazo, sobretudo de bens duráveis, além de encarecer o crédito. “Faz com que o grande investidor aplique menos recursos na economia real realocando parte desse capital para aplicações financeiras”, afirmou a especialista.

 MERCADO FINANCEIRO.

No mercado financeiro, segundo ela, um aumento na Selic tende a estimular os investidores a optarem por investimentos em renda fixa, que oferecem uma remuneração baseada em juros.

É o caso dos títulos públicos do governo federal, dos tradicionais CDBs emitidos pelos bancos, das letras de crédito, das debêntures, entre outras opções.

De acordo com a especialista, todos esses papéis tendem a ter uma maior rentabilidade em tempos de Selic em alta.

“Já o mercado imobiliário, por exemplo, costuma ser negativamente afetado pela Selic alta, uma vez que, os financiamentos se tornam menos atraentes”, afirmou.

“É importante ressaltar que as decisões de investir em renda fixa ou variável não devem depender apenas da Selic, é preciso sempre considerar as suas características como investidor para que a sua carteira de investimentos esteja alinhada ao seu perfil e aos seus objetivos”, explicou a especialista.

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