Variante delta pode nublar o clima de retomada?
Essa é a ‘pergunta do momento’ que pesquisadores se fazem no estado e no Vale do Paraíba, principal foco de identificação da variante delta do coronavírus no interior paulista.
A chegada da nova cepa, duas vezes mais contagiosa do que a variante original do vírus, coloca em risco o fim da quarentena no estado e o clima de retomada das atividades comerciais, que agora podem funcionar sem restrições de capacidade e horário.
Por um lado, o avanço da vacinação provoca queda sustentada em novos contaminados pela Covid-19 na região, e consequentemente em internações e mortes.
Mas por outro, a chegada veloz da delta, já identificada em mais de 10 cidades do Vale, põe em xeque as medidas de reabertura anunciadas pelo governador João Doria (PSDB), que comemorou o término da quarentena.
“Estou muito feliz por não termos mais quarentena no estado de São Paulo. Fomos o primeiro estado a entrar em restrição”, disse ele em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na quarta-feira (18).
O tucano lembrou que o uso de máscara e a obediência aos protocolos sanitários continuam valendo até o final do ano. Aglomerações seguem proibidas.
RIO DE JANEIRO
Mesmo assim, a chegada da variante delta preocupa cientistas, em especial devido à aproximação do Vale com o estado do Rio de Janeiro, no qual a cepa já responde por 60% das amostras e pode provocar ‘boom’ em São Paulo (leia texto nesta página).
Confirmando o bom momento da região, com aumento de vendas no coméercio e a recuperação de clientela em serviços, como academias e salões de beleza, Eliane Maia, presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos, diz que o momento é positivo, mas também de cautela.
“Estamos num momento com datas importantes e outubro começa a contratação para a temporada. Queremos tudo funcionando. Com responsabilidade, vamos avançar”, afirmou.
ESTADO
João Gabbardo, coordenador executivo do agora Comitê Científico de São Paulo, disse que o estado tem “indicadores muito favoráveis” mesmo com a “possível chegada da delta”. E destacou: “Se ocorrer alteração nos indicadores, tomaremos as medidas necessárias”.
Segundo ele, São Paulo não cometeu o erro de países que suspenderam as restrições cedo demais. “Até o momento não houve nenhuma alteração que possa ser atribuída à delta”.
COMERCIAL
A empresária e presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos, Eliane Maia, ressalta o bom momento para as atividades comerciais com o fim da quarentena em São Paulo, mas pede atenção aos protocolos sanitários.
“Temos reforçado para cada um respeitar os protocolos. Embora tenha a reabertura, é importante cada um fazer a sua parte, evitando aglomeração”.
Segundo ela, com a chegada da variante delta à região a “responsabilidade que teremos agora é muito grande”.
PESQUISA
Levantamento da Info Tracker, sistema de monitoramento da pandemia das universidades paulistas USP e Unesp, aponta que a variante delta já responde pelo aumento dos casos no Rio de Janeiro e prevê que o mesmo aconteça a São Paulo a partir de setembro, o que pode colocar em risco o fim da quarentena no estado.
“Embora a vacina vá ajudar na contenção, as pessoas precisam se preparar mentalmente para essa mudança de tendência da pandemia, porque vai acontecer”, disse Wallace Casaca, professor da Unesp e um dos coordenadores da Info Tracker.