Covid

Vereadores bolsonaristas atacam decreto que obriga servidores da Prefeitura a se vacinarem

Por Da Redação |
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Palácio do Bom Conselho, sede da Prefeitura de Taubaté
Palácio do Bom Conselho, sede da Prefeitura de Taubaté

Um decreto editado na semana passada pelo prefeito de Taubaté, José Saud (MDB), que determina que todos os servidores da Prefeitura sejam vacinados contra a Covid-19, virou alvo de vereadores bolsonaristas nessa terça-feira (24).

A principal medida contra o decreto de Saud partiu do vereador Alberto Barreto (PRTB), que protocolou um projeto que visa sustar os efeitos da norma. No texto, o parlamentar alega que não haveria margem legal para obrigar os servidores a se vacinarem.

Lido na sessão dessa terça, o projeto de Alberto Barreto ainda será analisado pelos órgãos técnicos da Câmara e pelas comissões permanentes antes de ser votado em plenário.

Além disso, a vereadora Vivi da Rádio (Republicanos) encaminhou um ofício para solicitar que o prefeito reconsidere o decreto.

DISCUSSÃO.
O decreto de Saud gerou discussão entre os vereadores na sessão de Câmara dessa terça-feira. Os três parlamentares mais alinhados ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), criticaram a medida.
“Ele [decreto] fere o direito à liberdade. Quem está cometendo crime é o Estado contra o cidadão”, disse Alberto Barreto. “Eu não sou contra a vacina, eu me vacinei. Agora, obrigar a pessoa a tomar, isso nunca houve em nosso país. Obrigar, em ameaça de perder emprego, é ditadura. Não concordo com isso”, afirmou Vivi da Rádio. “A pessoa pode se recusar a tomar vacina. Meu corpo, minha responsabilidade”, alegou Boanerge dos Santos (PTB).

Outros vereadores defenderam o decreto. “O que não pode é um servidor público contaminar várias pessoas. Nós estamos discutindo coisas que nós não estudamos. Isso é muito perigoso. Foram quase 1.000 taubateanos que morreram”, disse Douglas Carbonne (DEM). “Estamos falando de uma doença que mata. Eu quase morri. Minha esposa é professora, não quero que ela corra risco. Não quero que os outros funcionários também corram risco”, afirmou Diego Fonseca (PSDB), que ressaltou que “estão politizando a doença”.

“Nós, que somos representantes do povo, temos que ter mais responsabilidade sobre o que falamos. Eu perdi um cunhado. Nós perdemos servidores [da Câmara], que foram vítimas dessa praga maldita”, disse Nunes Coelho (Republicanos). “A nossa fala tem que ser baseada na ciência. A gente vive em sociedade, não vive numa caverna. Eu tenho uma doença autoimune. Os colegas que não se vacinam colocam a minha vida em risco”, afirmou Talita Cadeirante (PSB).

DECRETO.
No decreto, publicado no diário oficial do município no último dia 17, Saud alega que “os direitos à vida e à saúde”, que são previstos na Constituição Federal, “devem prevalecer em relação à liberdade de consciência e de convicção filosófica individual”, e que “os servidores e empregados devem proceder, pública e particularmente, de forma a dignificar a função pública”.

Saud estabelece também, no decreto, que a recusa à vacina, “sem justa causa”, caracteriza “falta disciplinar do servidor ou do empregado público, passível das sanções dispostas” no Código de Administração do Município – entre as penalidades estão advertência, suspensão e demissão.

O prefeito determina, ainda, que caberá ao Departamento de Administração/Área de Recursos Humanos “levantar os servidores e empregados públicos que, sem justa causa, não se vacinaram, adotando as providências legais e regulamentares pertinentes”.

Em dezembro de 2020, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que entes federativos podem estabelecer sanções contra quem não se imunizar.

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