Oriente Médio

Grupo extremista assume o poder e provoca crise humanitária

Por Marcos Eduardo Carvalho |
| Tempo de leitura: 3 min
Membros do Talibã com a aeronave de ataque leve Super Tucano A-29 da Força Aérea Afegã, fabricada pela Embraer
Membros do Talibã com a aeronave de ataque leve Super Tucano A-29 da Força Aérea Afegã, fabricada pela Embraer

No dia 7 de outubro de 2001, os Estados Unidos, sob comando do presidente George W. Bush, invadiram o Afeganistão para capturar o terrorista Osama Bin Laden, acusado de ser o mandante dos atentados de 11 de setembro às torres gêmeas em Nova York. Os norte-americanos acusaram os talibãs, que comandavam o país à época, de dar proteção a Osama.

Assim, os Estados Unidos, em pouco mais de duas semana, conseguiram derrubar o frágil exército afegão e derrubaram os fundamentalistas, que estavam no poder desde 1996. Então, o Afeganistão tentou uma retomada pacífica e Hamid Karzai assumiu o poder com a promessa de redemocratização do país.

E, nos últimos 20 anos, os Estados Unidos ocuparam o país do Oriente Médio. Agora, porém, anunciaram uma programada retirada, o que abriu espaço para que, novamente, o Talibã retomasse o poder do país.

Nas últimas semanas, o grupo foi tomando regiões importantes do país, como Kandahar e Jalalabad. Agora, na semana passada, no domingo anterior, dia 15 de agosto, tomou a capital Cabul.

O presidente Ashraf Ghani fugiu para os Emirados Árabes e o grupo extremista tomou novamente o poder, para desespero principalmente das mulheres, que sempre foram obrigadas a usar burcas (roupas que cobrem todo o corpo).

Durante a primeira vez em que comandaram o país, os talibãs proibiam as mulheres de sair às ruas desacompanhadas de um homem da família e as proibiam de trabalhar e estudar.

Quem desobedecia, era punida com agressões e até mesmo a morte pela polícia religiosa dos talibãs, que seguem uma visão distorcida do islamismo.

Os talibãs também não aceitavam, no governo anterior, qualquer tipo de influência internacional e até o patrimônio histórico e cultural do país, com as gigantes estátuas de Buda, chegaram a ser destruídas pelos radicais.

DESESPERO.

Agora, com a retomada do grupo rebelde, o que se viu no país foram cenas surreais e que chocaram o mundo, como a imagem de um avião cargueiro militar dos Estados Unidos partindo do aeroporto de Cabul com várias pessoas se pendurando na carenagem da aeronave, no desespero de tentar fugir. Alguns, inclusive, despencaram já em voo e morreram na pista.

Outros conseguiram embarcar e, em uma aeronave para pouco mais de 100 pessoas, mais de 600 embarcaram.

Quem não fugia pelo ar, fugia por terra, em busca de abrigo nos países vizinhos. Mulheres em pânico, chorando, com crianças no colo e famílias buscando um abrigo em algum outro lugar.

No início da última semana, o Afeganistão se tornou um país ainda mais confuso, com muitos conflitos e futuro incerto.

No entanto, grupo Talibã, ao reassumir o poder, garantiu que os direitos das mulheres seriam garantidos, mas ‘dentro da lei islâmica’, e que quem quisesse sair do país, não seria impedido.

Mas a comunidade internacional acompanha com apreensão os próximos passos do grupo terrorista, onde seus soldados foram formados nas madraças, escolas de ensino do islamismo, e que muitas vezes interpretam de maneira radical os ensinamentos da religião muçulmana.

Grupo surgiu para combater a invasão soviética

No auge da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética disputavam o poder e a influência mundial, os soviéticos invadiram o Afeganistão em 1979 e tomaram o país. Com isso, os norte-americanos, na tentativa de frear essa invasão, passaram a treinar guerrilheiros para lutar contra o domínio russo. E, esse grupo, depois se tornaria o que hoje é o Talibã, formado por jovens muçulmanos fundamentalistas. Com a expulsão dos soviéticos, no início dos anos 1990, o grupo ganhou força no país, conquistou algumas regiões e chegou ao poder em 1996, permanecendo por cinco anos, em um dos períodos mais sombrios da história do Afeganistão.

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