Vale tudo, Bolsonaro?

Por |
| Tempo de leitura: 2 min

Cada vez mais sem rumo, o (des)governo de Jair Bolsonaro (sem partido) mergulhou de cabeça em uma batalha desesperada pela sobrevivência.

O projeto de permanência no poder - a qualquer custo - é executado em duas frentes: uma a curto prazo, e a outra de olho no futuro.

A estratégia de curto prazo consiste em ceder, como em um regime de comodato ou arrendamento, parte do governo ao Centrão. A outra tática, que mira 2022, é intensificar os ataques ao sistema eleitoral brasileiro, tentando deslegitimar uma - hoje bastante provável - derrota no pleito do ano que vem.

Na última semana, Bolsonaro fez três grandes acenos ao Centrão. Em um deles, convidou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é presidente do partido, para assumir a Casa Civil. Em outro, passou a negociar um retorno ao próprio PP, para concorrer pela legenda à presidência em 2022. E, para justificar tudo isso, ainda declarou: "eu sou do Centrão", forçando seu eleitorado mais fiel a fazer um malabarismo argumentativo para defender as escolhas do 'mito'.

Bolsonaro foi eleito em 2018 tendo, como uma de suas principais bandeiras, o discurso contra a 'velha política' e o 'toma lá, dá cá'. Tudo isso é simbolizado pelo Centrão, que é um bloco de partidos fisiológicos que costuma trocar apoio político por cargos e verbas. São caciques do grupo que estão envolvidos, por exemplo, nas denúncias de irregularidades na compra de vacinas contra a Covid-19. Por que, então, o presidente não se livra deles? Para evitar a abertura de um processo de impeachment, obviamente.

Com o presente sob aparente controle, Bolsonaro também mira o futuro ao, vira e mexe, tentar colocar em xeque a urna eletrônica. Na última semana, completou-se 500 dias desde que o presidente prometeu apresentar "provas" de fraude nas eleições. E, como era de se esperar, não cumpriu com a palavra.

Bolsonaro ameaça imitar Donald Trump e dar um chilique se for derrotado na tentativa de reeleição. Mas, ao contrário do ex-presidente norte-americano, o 'mito' parece ter o apoio de grande parte das Forças Armadas - inclusive de sua cúpula, o que poderia nos transformar em uma República das bananas. Que a luta de Bolsonaro pela sobrevivência não mate a nação.

Comentários

Comentários