Ao menos duas explosões foram registradas nesta quinta-feira no lado de fora do aeroporto internacional de Cabul, horas após diversos países ocidentais emitirem alertas para que civis deixassem a região, citando uma ameaça "muito crível" de integrantes do braço afegão do Estado Islâmico, que é um inimigo comum dos Estados Unidos e do Talibã. Segundo os talibãs, que cuidam da segurança fora do perímetro do aeroporto, ao menos 13 pessoas teriam morrido, entre elas crianças.
De acordo com o porta-voz do Pentágono, John Kirby, uma das explosões teria ocorrido nos arredores do Portão Abbey, o principal local de acesso ao aeroporto, classificando-a como um "ataque complexo que resultou em mortes de "americanos e civis". Uma segunda detonação, a pouco metros da primeira, teria ocorrido "no Hotel Baron ou perto de lá", prédio bastante usado por diplomatas americanos e britânicos.
Imagens do Portão Abbey rodaram o mundo nos últimos dias, com milhares de afegãos se aglomerando na região tentando escapar em voos de fuga após a volta do Talibã ao poder, no último dia 15. Uma testemunha do ataque disse ao canal afegão TOLO News que há "corpos sem vida e pessoas feridas por todo lugar".
Ao jornal Telegraph, fontes do governo britânico afirmaram que informações preliminares indicam que a primeira explosão teria sido causada por um homem-bomba e foi seguido por uma breve troca de tiros. Logo em seguida, a detonação no portão do aeroporto teria sido causada por um carro-bomba. Todos os portões de acesso ao aeroporto teriam sido fechados.
A autoria das explosões não está clara, mas fontes do governo britânico afirmaram ao jornal Telegraph que é "muito provável" que elas tenham sido orquestradas pelo Estado Islâmico do Khorasan, ou Isis-K. O grupo não assumiu a autoria pelo atentado até o momento.
Surgido em meados de 2014, o Isis-K tem como base ex-integrantes de um grupo igualmente radical, o Tehrik-i-Taliban, “Movimento dos estudantes”, do Paquistão, presente em áreas de fronteira entre os dois países. Ele segue um modelo similar ao de outras células — chamadas de províncias — do Estado Islâmico pelo mundo: uma relativa independência da liderança do grupo, baseada na Síria e no Iraque, e levando em consideração fatores regionais.
Desde a noite de quarta, diversos países ocidentais e o Talibã alertavam para ameaças "muito críveis" do grupo e emitiram alertas para que os civis deixasse ma região, citando ameaças "muito críveis" do Isis-K. Perante os riscos, vários países europeus já haviam suspendido a retirada de pessoas do Afeganistão, a cinco dias do prazo final para os militares americanos deixarem o país após 20 anos de invasão.
Apesar dos alertas internacionais, contudo, um diplomata ocidental em Cabul disse que os arredores do Aeroporto Internacional Hamid Karzai continuavam “incrivelmente lotados”, como tem sido desde que o Talibã retornou ao poder.
São os americanos que controlam as operações no aeroporto e, com voos civis interrompidos, poucos afegãos conseguem sair. A prioridade de remoção é para cidadãos estrangeiros e afegãos que trabalharam para as forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e receberam vistos dos países da aliança militar ocidental.
Até mesmo o Talibã, que faz a segurança dos arredores do aeroporto, havia afirmado que seus guardas também estavam “arriscando suas vidas no aeroporto de Cabul” diante da “ameaça do Estado Islâmico”.