A Exortação Apostólica do Papa Francisco denominada Gaudete et exsultate (Alegrai-vos e exultai) apresenta-se aos seus leitores como a atualização das palavras de Jesus dirigidas aos perseguidos e humilhados por causa dele. Significam que a vida doada, mesmo que à custa de dificuldades e sofrimentos é significativa e não se perde, mas, precisamente deste modo é construída solidamente. O documento pontifício faz notar a todos que Deus “quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa”.
Depois de recordar que o chamado à santidade é algo constante na Sagrada Escritura, o Papa expõe o objetivo de sua exortação: “fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós “para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor” (cf. Ef 1, 4)”.
Em meio a tantas alegrias fugazes que os tempos atuais oferecem, o Evangelho é o único caminho capaz de conduzir os seres humanos à alegria perene.
A Exortação Apostólica é também oportunidade de uma renovada compreensão de santidade, que antes de ser uma conquista humana é acolhida a um dom divino. Em geral a santidade é entendida como prática de ações extraordinárias possível somente a alguns, que se destacam dos outros como super humanos ou heróis, mas impossível àqueles que pertencem ao comum dos mortais.
Frente a isso o Papa Francisco abre as mentes para uma nova visão de santidade deslocando-a do eixo “conquista da perfeição individual” para o eixo “busca do compromisso fraterno com os mais necessitados”. Os tempos modernos com suas oportunidades, desafios e riscos, são também fecundos em possibilidades de vivência autêntica do Evangelho nas atitudes de atenção, respeito, serviço, defesa e cuidado, tendo como alvo sempre a pessoa do próximo.
Com isso, percebe-se que a chave da santidade é o amor, que se traduz em gestos para com os sofredores, pobres, tristes, sozinhos, desprezados, marginalizados, infelizes etc. O amor vivido deste modo faz de cada pessoa um reflexo do Deus-Amor e permite que a santidade seja sentida como realidade ao alcance de todos.
A santidade vivida no testemunho do amor revela-se possível a todos e faz com que se acredite no significado da fé e na validade da religião em tempos pós-modernos, além de fazer com que as pessoa tornem-se de fato o que são em semente.