Passamos a maior parte da vida vendados, com uma certa consciência de que não temos olhos para enxergar tudo em nossa volta.
É essa cegueira que nos impede ver as coisas que estão mais perto de nós: a simplicidade do dia a dia, os elementos do hoje.
Quando o hoje vira passado, é difícil recuperá-lo. O artista jacareiense Douglas Reis voltou para a terra de sua mãe, que morou na infância e adolescência no interior do Paraná, logo depois de seu falecimento.
Em sua busca pelo ontem, Douglas produziu uma série de pinturas, retratando a cultura caipira do interior, inspirado nas próprias histórias da infância, que ficaram perdidas depois de um período de distanciamento.
Quando sua mãe faleceu, na virada dos anos 2017 e 2018, Douglas resolveu VIAJAR para Perobal, no Paraná. O que seria uma visita de uma semana, se transformou em uma estadia de dois meses.
"Eu sempre costumava visitar a cidade em datas comemorativas. Aos poucos, deixei de querer ir para a roça, acabei me afastando. Quando a minha mãe faleceu, percebi a falta de conhecê-la. Senti falta da minha própria história e origem", afirmou Reis em entrevista a OVALE.
Durante a viagem, o artista conheceu amigos da mãe, visitou a igreja que ela frequentava e sua escola.
"Pintei a escola, a igreja e conversei com pessoas que nunca havia conhecido antes. Comecei a ter um olhar mais emocional, a ver os detalhes de uma forma diferente, em tudo aquilo que havia perdido o valor durante os anos", completa Douglas Reis.
PINTURAS.
O artista levou diversas telas para Perobal, onde as produziu enquanto respirava a poeira vermelha da terra.
Em suas telas, Reis substitui os olhos de seus personagens por pássaros. "Sempre desenhei a figura dos pássaros, desde a infância. Uso eles para mostrar a libertação da forma em que somos escravizados pela nossa maneira de olhar as coisas", explica Reis.
Em suas telas, Douglas Reis utiliza pincel, acrílico, coração, látex, colagens, elementos de costura, ferro e spray.
Os trabalhos podem ser vistos na exposição "Carrossel da Terra Vermelha - uma devoção ao silêncio", que fica no Center Vale, em São José dos Campos, até o dia 9 de julho..