Ideias

só uma ala comanda

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soldado de plástico
soldado de plástico

Mais um. Ou menos um? Em menos de cinco meses e meio de governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) já demitiu três ministros de sua contestada equipe.

O último a ser exonerado foi o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que comandou a Secretaria de Governo da Presidência da República até essa quinta-feira. O substituto será o também general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste.

As três demissões ocorridas até agora têm um ponto em comum: atritos com a ala mais ideológica do governo, personalizada pelo escritor Olavo de Guru e pelos filhos atrapalhados de Bolsonaro.

Gustavano Bebianno, que era ministro da Secretaria-Geral da Presidência, foi o primeiro a ser fritado pela trupe de Olavo. O presidente não teve dúvida: cortou a cabeça dele.

No caso de Ricardo Vélez Rodríguez, a história teve contornos um pouco diferentes. Afinal, o próprio Olavo havia indicado o colombiano para o Ministério da Educação. E é importante ressaltar que, com ideias absurdas para o MEC, Vélez Rodríguez foi o principal responsável por sua vida curta no governo. No entanto, também nesse episódio, o guru da família Bolsonaro agiu: na reta final, fritou o então ministro, o chamando até de traiçoeiro; depois da queda, afirmou que o substituto (Abraham Weintraub) era um olavista de verdade, ao contrário de seu antecessor.

Com Santos Cruz, o enredo foi bem parecido com o que ocorreu em relação a Bebianno. O então comandante da Secretaria de Governo da Presidência da República sofreu um longo processo de fritura, que contou com o apoio do exército virtual da ala mais ideológica do presidente.

A gota d'água teria sido a falta de sintonia entre Santos Cruz e Fabio Wajngarten, indicado por Carlos Bolsonaro para a Secom (Secretaria de Comunicação).

O que mostram esses três episódios? Que sempre que há um atrito entre as diversas alas do governo, Bolsonaro tende a ficar do lado do núcleo ideológico, preterindo os militares.

Pois é isso que o presidente é: um militar quando convém (quando precisa usufruir do prestígio das Forças Armadas), mas alguém que não abandona seu lado ideológico por nem um segundo..

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