O senso comum é unívoco: Estamos em crise. Seja a crise do sujeito, na produção de angústia e ansiedade; seja a crise da sociedade, na incapacidade de superação da miséria e das desigualdades.
Segundo a etimologia da palavra, crise significa conjuntura ou momento desfavorável, portanto passivo de superação. No Brasil, porém, a crise não é temporal ou transitória, ela é o modo arbitrário e deliberado das políticas econômicas de governo. Não à toa que 'estamos em crise' desde 2008. Mas, se a crise é transitória, como ela pode durar 11 anos?
Dados do Banco Central demonstram que as despesas primárias consomem mais de 80% da receita primária disponível. Por outro lado, regras conceituais da nova matriz econômica (superávit fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação) fecharam 2016, por exemplo, com salto nos juros nominais de R$ 230,7 bilhões para R$ 506,9 bilhões (8,79% do PIB), ocasionado por aumentos sucessivos da Selic, na época fixada em 14,25%.
Crise, no Brasil, é uma política institucional. Somos um país em crise permanente porque do nosso endividamento extraem-se riquezas, como determina a cartilha neoliberal. Crise, portanto, não é feita para ser superada, mas para permanecer de forma ideológica a serviço dos credores, conforme determinam o FMI e o Banco Mundial.
Longe de sua superação temporal, prefiro a interpretação de Darcy Ribeiro do que as mais variadas explicações economicistas para responder que crise, no Brasil, não é crise, é projeto de governo e de sociedade..