Pela segunda vez em menos de dois meses, a União Europeia estabeleceu um novo prazo para decidir sobre o acordo entre as fabricantes de aviões Boeing e Embraer.
A expectativa agora é que a decisão sobre a fusão, que vai movimentar cerca de US$ 4,2 bilhões, saia até 23 de junho deste ano.
Anteriormente, em 9 de janeiro, o prazo para o veredito sobre a transação comercial havia ficado estabelecido em 30 de abril. Esse prazo, no entanto, estava suspenso até a última sexta-feira, a fim de permitir que reguladores recebessem mais informações prestadas pelas companhias.
A norte-americana Boeing aguarda o aval para comprar 80% da divisão de jatos comerciais da fabricante brasileira.
Ambas chamam o negócio de "parceria estratégica".
Na transação, o setor comercial da Embraer foi avaliado em US$ 5,26 bilhões.
As empresas formarão a joint venture Boeing Brasil Commercial que absorverá toda a aviação comercial da Embraer, com 80% do controle nas mãos dos americanos, que pagarão US$ 4,2 bilhões. A Embraer ficará com os 20% restantes.
Inicialmente, a Embraer esperava que todas as aprovações ao negócio estivessem concluídas até o final de 2019. No entanto, pedidos de mais informações de membros da Comissão Europeia têm adiado o prazo final seguidamente.
No final de dezembro de 2019, quando a análise do acordo estava suspensa na União Europeia, os reguladores pediram mais de um milhão e meio de páginas com informações sobre as campanhas de vendas das empresas ao longo dos últimos 20 anos.
A preocupação da Comissão Europeia é sobre uma possível influência da fusão na redução do número de participantes no mercado global de jatos.
Por outro lado, instituições regulatórias nos Estados Unidos, China e Japão já aprovaram a fusão entre as duas empresas. Também o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), no Brasil, deu aval positivo ao negócio.
O Ministério Público Federal contestou a decisão e pediu reanálise ao Cade, que rejeitou o recurso do MPF e aprovou, em definitivo, a transação comercial com a Boeing.
'Continuamos a cooperar e aguardamos uma solução positiva', dizem empresas
As companhias afirmaram que esperam uma decisão positiva na Europa. "Boeing e Embraer têm atuado junto à Comissão Europeia e outras autoridades regulatórias globais desde o final de 2018, sendo que já recebemos autorização para concluir a transação de quase todas as jurisdições, incluindo Brasil, Estados Unidos, China e Japão. Continuamos a cooperar com a Comissão Europeia em sua avaliação sobre a transação e aguardamos uma solução positiva", disseram, em nota.
Para analistas, porém, a demora pode prejudicar o processo. A indecisão pode ser interpretada negativamente pelo mercado e pelos investidores.