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'Paciente pode trocar de médico', diz Bolsonaro em live

Por Das agências |
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Jair Bolsonaro durante live
Jair Bolsonaro durante live

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na noite desta quinta-feira, durante sua live no Facebook, que "médico não abandona paciente, mas paciente pode trocar de médico". Sem mencionar o ministro Luiz Henrique Mandetta, o presidente fez referência à frase que se tornou a resposta padrão do chefe da Saúde às perguntas sobre sua possível saída da pasta.

A insatisfação de Bolsonaro com o ministro se tornou notória há semanas, e boatos sobre a eventual saída de Mandetta se intensificaram há alguns dias após uma tensa reunião interministerial.

Nesta quinta, a CNN Brasil revelou conversa telefônica entre o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Osmar Terra (MDB) em que ambos tratavam de uma possível demissão do ministro da Saúde.

O jornal "Valor Econômico" revelou que Mandetta se encontrou também nesta quinta com Bolsonaro, após a divulgação da conversa telefônica. Os dois falaram sobre o assunto, mas o teor do diálogo não foi divulgado. O encontro durou entre 16h30 e 16h45.

Bolsonaro começou sua transmissão recusando-se a comentar o assunto que foi mais uma vez um dos mais comentados do dia: "Quem está esperando eu falar do Mandetta, do Osmar Terra e do Onyx pode passar para outra live. Não vai ter esse assunto aqui não".

Contudo, após defender mais uma vez o uso da hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com covid-19, afirmou: "Você tem todo o direito de trocar de médico, com todo respeito aos profissionais. Então repito: médico não abandona paciente, mas paciente pode abandonar médico".

Na semana passada, Mandetta já havia respondido a boatos sobre sua saída dizendo não ser "dono da verdade". "Estou simplesmente vendo um paciente e dizendo que esse é o melhor caminho. Mas é normal também o médico falar que o caso é de cirurgia, e o paciente querer ouvir uma segunda opinião", disse na ocasião. "Médico não abandona paciente, meu filho."

Sem se referir diretamente ao chefe da Saúde, Bolsonaro aproveitou para perguntar se o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que acabara de apresentar algumas ações do governo para combater os impactos econômicos da crise, já tinha trocado de médico alguma vez. Guimarães respondeu afirmativamente.

INDIRETAS.

Outros alvos preferenciais do presidente também receberam menção em sua fala. Ao defender o uso da hidroxicloroquina, retomou elogio ao cardiologista Roberto Kalil Filho, do hospital Sírio Libanês, que, infectado pelo novo coronavírus, admitiu fazer uso do medicamento.

"Ontem (quarta-feira) mesmo eu havia conversado com o doutor Kalil, que diferentemente daquele outro cara, o outro colega, que é ligado ao governador, falou que usou e também ministrou a pacientes." O "colega" mencionado é o infectologista David Uip, chefe do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, que havia se recusado a falar sobre o uso da substância em seu tratamento e é ligado ao governador João Doria (PSDB-SP), adversário político de Bolsonaro. 

O presidente ainda mostrou uma caixa do medicamento e exaltou: "Isso aqui não tem que ser político, isso aqui é vida!"

TEMPO DE AUXÍLIO.

Bolsonaro alegou que o Brasil só tem condições de manter medidas econômicas de combate à crise provocada pela covid-19 por até três ou quatro meses. Além disso, disse esperar "em breve, que seja publicado estudo emergencial dando muita força para uso da cloroquina" e reforçou que o uso do medicamento não pode ser politizado.

Segundo o presidente, o governo federal já investiu mais de R$ 600 bilhões para minimizar os impactos da crise. "Já ultrapassou os R$ 600 bilhões. É isso que o governo está fazendo: tinha uma ponte que deu uma enchente e arrastou a ponte, estamos agora reconstruindo virtualmente a ponte, mas temos um limite: mais de três ou quatro meses fica complicado."

Ele disse esperar que "as atividades voltem antes" deste período. "Por mim, quem não tem medo de quarentena já deveria estar trabalhando", defendeu. 

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