Brasil

Sem protocolo geral, 'abre e fecha' prolonga isolamento e aprofunda crise

Por Das agências |
| Tempo de leitura: 2 min
Comercio em Brasilia totalmente fechado por causa do Coronavírus
Comercio em Brasilia totalmente fechado por causa do Coronavírus

Há duas semanas, o governo do Ceará foi um dos primeiros a tentar relaxar a política de isolamento social no país, liberando algumas atividades não essenciais. A decisão durou menos de três horas e foi revogada.

Na quinta (16), o Estado informou que 100% dos leitos de UTIs do sistema público estavam lotados. Há fila de espera, e a previsão é que haja 250 mortos ao dia a partir de maio. Com Fortaleza transformada em um dos epicentros da Covid-19 e os casos se alastrando para o Interior, o Estado precisará decidir novamente nesta segunda (20) o que fazer com o isolamento.

Sem um protocolo nacional, o efeito "abre e fecha" é hoje o maior desafio de Estados e municípios para conciliar a saúde, o isolamento e a economia diante das consequências deletérias da pandemia. Quase dois meses após a chegada da Covid-19, o Brasil ainda não tem um plano.

Como agravante, a intensidade e abrangência geográfica do impacto do coronavírus será diferente em muitas das 27 unidades da Federação e 5.569 municípios, o que tende a provocar ondas intermitentes de paralisação.

Na Europa, as autoridades já divulgam como regra para relaxar o isolamento observar um período sem a propagação do vírus e a capacidade hospitalar regional. Nos EUA, haverá etapas definidas pelo governo central para os estados, que escalonarão os tipos de estabelecimentos que poderão reabrir (primeiro escolas, depois restaurantes, por exemplo) e as pessoas que circularão livremente (crianças e adultos antes dos idosos).

Além da definição desses protocolos, os países prometem multiplicar os testes para a Covid-19 e o uso de máscaras entre a população.

No Brasil, mesmo a questão das máscaras tem sido facultativa, embora haja iniciativas como a de Mato Grosso de aprovar multa de R$ 140 para quem não usar a proteção. "O fantástico no Brasil é que nada disso sequer está sendo discutido, o que é inacreditável", afirma Armando Castelar, coordenador de economia aplicada do Ibre/FGV.

Comentários

Comentários