Que tipo de gente?
Que tipo de sociedade?
São as perguntas que não saem da minha cabeça há dias.
Houvesse como viajar no tempo ainda que só por uma vez em toda vida, eu escolheria agora. Gostaria muito de saber o que nossos netos ouvirão acerca do momento único que estamos vivendo.
A sociedade acostumou-se, sobretudo nos últimos três séculos, a evoluir de forma cada vez mais rápida, ainda que nem sempre positiva, uma vez que contabilizamos de forma clara duas guerras mundiais e um sem número de conflitos que usaram estes avanços justamente para sobrepor-se ao outro.
Contudo, neste momento, somos todos vítimas.
O algoz é um vírus com mutação ultrarrápida que, ao contrário do que costuma acontecer, não está dizimando os países africanos de menor IDH, mas, antes, países de primeiro mundo como Itália e Espanha.
A curva exponencial de avanço e disseminação é assustadora.
Toda pesquisa está voltada para uma tentativa de solução urgente.
E nós, pessoas comuns, que ouvimos de tudo o tempo todo? E nossas famílias, principalmente nossos idosos cujo risco de agravamento da doença é da ordem de 60%?
Enquanto observador e pesquisador, apavoro-me com declarações nada indiretas de empresários e do próprio presidente da república clamando para que a vida "normal" continue em vistas da manutenção da saúde econômica do país. Mas de que adianta ter saúde econômica sem vida? Sem gente? Sem a finalidade de protegermo-nos uns aos outros, todos e todas?
A verdade é que a visceralidade do momento, além de demandar um movimento geopolítico radical, tem revelado de forma nua e crua quem é quem tanto em nossas relações mais próximas, quanto nas instâncias de poder mais supremas.
E como não temos respostas imediatas para tais questões, deixo duas perguntas para aliviar-me o peso das costas:
Que tipo de sociedade você quer ajudar a construir em meio e depois de tudo isso?
Que tipo de gente você tem sido dentro desse cenário e que tipo de gente você será quando as coisas voltarem à normalidade?
Só isso, por ora.