Novos protestos contra a demissão do agora ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Galvão, foram realizados nesta segunda-feira.
Na parte da tarde, pesquisadores, cientistas, sindicalistas e estudantes reuniram-se em São José dos Campos, na portaria do instituto, para criticar a decisão do governo federal de demitir Galvão, que tinha mais 13 meses de mandato à frente do Inpe.
Em São Paulo, o mesmo ocorreu no Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo), em ato batizado de "Fica Galvão" e realizado "em desagravo ao diretor do Inpe", segundo os organizadores.
Para o matemático Acioli Antonio de Olivo, pesquisador aposentado do Inpe e secretário de Comunicação e Cultura do SindCT (Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia), a demissão de Galvão foi um "ato arbitrário" dentro de uma "visão de guerra" de um governo que quer "eliminar quem discorda".
"O Inpe não é responsável pelo desmatamento, ele só o mede. A função do governo é combater o desmatamento, e não combater quem fornece o índice de desmatamento."
"O que se usou para exonerar o diretor foi 'quebra de hierarquia', como se estivéssemos em regime de quartel. O presidente se achou no direito de exonerar, chamar Inpe de 'mentiroso' e criminalizar Galvão. É autoritarismo e obscurantismo", afirmou Olivo..