Jair Bolsonaro (PSL) assumiu a presidência deixando claro que sua primeira missão nesse início de governo seria a aprovação da Reforma da Previdência. Agora, num momento em que o texto avança a passos largos na Câmara -- embora isso ocorra mais por mérito de congressistas do que do Palácio do Planalto, é verdade --, o que o pesselista faz? Em ver de surfar a onda dessa conquista, opta pelo que mais tem feito nesses pouco mais de seis meses: em uma decisão que salienta novamente seu despreparo, se mete em confusão.
Parece até piada, mas não é: nessa quinta-feira, Bolsonaro manifestou a intenção de indicar o filho Eduardo para ser o embaixador do Brasil em Washington.
A notícia, é claro, causou perplexidade no Itamaraty. Os diplomatas esperavam que o indicado fosse um funcionário de carreira, com experiência na área, e não alguém que tem como principais predicados, segundo o próprio pai, ter fluência no inglês e uma boa relação com a família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Ele é amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo. Poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente", disse Bolsonaro.
Nesse caso, a simples intenção do presidente é apenas um começo. Ainda faltariam duas etapas a serem cumpridas, para que o objetivo do pesselista seja atingido.
Uma delas é que Eduardo Bolsonaro, que no ano passado recebeu votação recorde para o cargo de deputado federal, sendo o mais votado da história, teria que renunciar ao mandato. Esse ponto já pode até ser considerado superado, segundo o próprio filho do presidente. "A missão que o presidente Bolsonaro der para mim certamente vou desempenhar da melhor maneira. Não tem nada formal, nada oficial. O presidente falou, está falado, mas não chegou nada oficial", disse ele.
A outra é que o nome teria que ser chancelado pelo Senado, o que também não deve ser um grande empecilho para a base governista.
Ou seja, a menos que o presidente mude de ideia, parece ser apenas questão de tempo. Ao agir dessa forma, Bolsonaro mostra que a promessa de nova política está mais para um império, uma ditadura ou um emirado..