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A MUDANÇA PEGOU MAL

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Previdência. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no primeiro turno
Previdência. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no primeiro turno

A nova Previdência propõe uma idade mínima para todos, sem exceção.

A frase acima é dita nas peças de publicidade encomendadas pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) para tentar convencer a população de que a Reforma da Previdência é necessária e que será justa.

Quem produziu o comercial não estava em muita sintonia com o próprio Palácio do Planalto e com os interesses da base aliada do pesselista. Na madrugada de sexta-feira, os deputados aprovaram uma mudança no texto-base para aliviar a regra de transição para policiais da ativa.

A alteração é de simples entendimento. Pelo texto da Reforma, o trabalhador comum só poderá se aposentar a partir dos 62 anos (mulheres) ou dos 65 anos (homens).

Para integrantes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além de outras categorias, o texto original previa uma idade mínima de 55 anos, tanto para homens quanto para mulheres. O destaque aprovado permitirá que os policiais da ativa se aposentem antes -- 53 anos para homens e 52 anos para mulheres.

A aprovação dessa alteração havia sido defendida anteriormente pelo próprio presidente da República, em momento em que foi classificado de "traidor" pelos policiais, que integram a base do eleitorado de Bolsonaro.

O texto-base recebeu ainda outras três alterações: flexibilização das exigências para aposentadoria de mulheres; redução de 20 anos para 15 anos do tempo mínimo de contribuição de homens que trabalham na iniciativa privada; e regras que beneficiam professores próximos da aposentadoria.

Mas, dos quatro destaques, foi justamente o dos policiais que levou o governo a ser criticado nessa sexta. E por quê? Porque se a proposta era tentar convencer a população de que todos irão se sacrificar igualmente, por que aliviar logo para um grupo tão próximo do presidente?

Até o fim da noite dessa sexta-feira, o governo ainda não havia finalizado os cálculos sobre o impacto dos destaques na economia financeira esperada com a Reforma da Previdência. A estimativa apontava que o prejuízo seria pequeno. E talvez seja mesmo. Afinal, o maior prejuízo não estará nas finanças, e sim no desgaste da imagem de uma reforma justa..

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