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imprensa x vazamento

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Liberdade de imprensa
Liberdade de imprensa

A prisão de quatro supostos hackers, que são apontados pela Polícia Federal como responsáveis por invadir aproximadamente mil telefones celulares -- entre eles o do ministro da Justiça, Sergio Moro --, não trouxe até agora nenhum fato que possa levar à conclusão de que houve cumplicidade criminosa por parte dos vazamentos pela imprensa de diálogos entre autoridades.

O primeiro ponto é que, ao menos por enquanto, nem a PF, nem o Ministério Público Federal e nem a Justiça Federal atribuem aos quatro presos o envolvimento no fornecimento de informações a jornalistas -- no caso, ao site The Intercept Brasil, que desde o mês passado tem publicado diálogos feitos pelo aplicativo Telegram que envolvem o ex-juiz federal Sergio Moro e procuradores da Lava Jato.

Num segundo ponto, ainda hipotético: caso se confirme que foram os dados obtidos pelos supostos hackers que abasteceram as reportagens do The Intercept, nem isso seria suficiente para representar qualquer falha na atuação dos jornalistas do veículo.

Explicamos: o jornalismo não pode ser criminalizado por publicar vazamentos que são de interesse público. Se uma fonte comete um crime para ter acesso a determinada informação e repassa a um veículo de imprensa, é dever do jornal publicá-la, caso seu conteúdo seja relevante, de interesse da sociedade. Aliás, quantos detalhes sigilosos da Lava Jato, vazados ilegalmente, foram publicados pela imprensa ao longo de tantos anos de operação?

Os jornalistas do site só poderão ser responsabilizados se ficar comprovado que eles atuaram em conjunto com os supostos hackers para invadir os celulares de autoridades -- ainda não há, pelo que foi divulgado, sequer suspeita disso.

Postos todos esses argumentos, é importante ressaltar que, caso se comprove que as conversas vazadas foram obtidas de maneira criminosa, isso não anula o fato de que o conteúdo dos diálogos é grave e que exige explicações convincentes dos envolvidos na maior operação de combate à corrupção da história do Brasil. Aliás, é de se estranhar que, enquanto diversos órgãos reúnem forças para tentar localizar os responsáveis pela invasão dos celulares, nenhum órgão esteja investigando seriamente se os diálogos configuram alguma irregularidade. Não são apenas os hackers que devem explicações..

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