O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que o aumento de queimadas registrado nos últimos dias na Amazônia pode ser resultado de ação criminosa. Para o presidente, as ações podem ser uma reação à suspensão de repasses do governo para ONGs (organizações não governamentais) e a também de verbas de países para o Fundo Amazônia, projeto de cooperação internacional para preservação da floresta.
Os principais países doadores do fundo, Alemanha e Noruega, anunciaram a suspensão de seus repasses após divulgação das taxas de desmatamento.
"O crime existe e temos que fazer com que esse crime não aumente. Mas nós tiramos dinheiro de ONGs, repasses de fora, dos quais 40% iam para ONGs, não tem mais, acabamos com repasses de órgão públicos para ONGs, de modo que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro. Então, pode estar havendo ação criminosa desse 'ongueiros' para chamar atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que estamos enfrentando", disse, ao deixar o Palácio da Alvorada, na manhã de hoje. "Não estou afirmando, mas no meu entender, há interesse dessas ONGs que representam interesse de fora do Brasil", ressaltou.
Para Bolsonaro, as doações ao Fundo Amazônia, assim como o incentivo à demarcação de terras indígenas e ao aumento de áreas de reserva ambiental, são formas de "comprar à prestação a nossa soberania".
"As demarcações não são para proteger o índio, mas para deixar intacta a maior parte possível dessa área para que, no futuro, outros países venham nos explorar aqui. Você acha que é coração muito grande desses países em ajudar? Ele não querem ajudar, todo mundo sabe que não tem amizade entre países, tem interesses".
Percentual de agosto é o maior medido pelo Inpe
Dois em cada três focos de queimada registrados em agosto ocorreram na Amazônia. Segundo dados do Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os incêndios no bioma responderam por 65,1% do total. O percentual em relação a outros biomas é o maior entre os meses de agosto desde o início da medição, em 2003.
Até então, a Amazônia nunca tinha respondido nem por metade dos incêndios do país nos meses de agosto monitorados pelo Inpe. O maior percentual tinha ocorrido em 2005, quando 46% das queimadas atingiram a Amazônia. Em todos os anos passados --pela característica climática e vegetação--, o cerrado era o líder em queimadas. Em 2018, por exemplo, o bioma respondia por 60% dos focos em agosto --à Amazônia correspondia apenas 20% do total.