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'É preciso atualizar, trazer modernidade'

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da redação. Um Lobato para as crianças de hoje. Essa foi a linha de raciocínio de Walcyr Carrasco ao adaptar as obras "Reinações de Narizinho" e "A Reforma da Natureza", recém-lançados pela editora Moderna.

O projeto feito pelo escritor, segundo ele, é uma resposta a retirada de livros de Lobato das listas de leituras obrigatórias na escola.

"Ultimamente, Lobato passou a ser menos adotado nas escolas porque levantaram questões, como o racismo, o fato de Pedrinho usar espingarda e etc. Ao mesmo tempo, muitas crianças de hoje vivem em outra realidade, em seu cotidiano nem há por exemplo, o telegrama", afirmou Carrasco.

"Eu trouxe Lobato para a criança de hoje, incorporando elementos da realidade atual. Entendi que ele é um autor de sua época, mas muitas coisas mudaram de lá para cá. Essa revitalização era necessária", continuou.

A ação também gerou críticas dos fãs mais puristas de Lobato.

A verdade é que Carrasco, autor de diversas novelas, minisséries, peças de teatro e com mais de 40 livros infantojuvenis no currículo, é um velho conhecido dos fãs do autor taubateano. Ele assina os episódios - até então inéditos - do "Sítio do Picapau Amarelo", em sua segunda fase, exibida em 2007 na Globo.

Seu objetivo na época era criar histórias que mantivessem o clima de fantasia do universo de Lobato e seus personagens com uma preocupação extra: atingir o público adolescente.

"Lobato me influenciou profundamente em todos os aspectos da minha vida, pois eu incorporei a Emília 'perguntadeira'. Passei a questionar o mundo. Foi ele que desenvolveu minha inteligência e criatividade", contou ele.

"Posso dizer que meu gosto pela leitura começou por Lobato. Aos 12 anos, eu emprestava os livros de uma vizinha e amiga, Heloísa. Li todos! Comecei com 'Reinações de Narizinho' e fui adiante", disse. "Ao ler Lobato, descobri minha vocação e resolvi ser escritor. E, mais tarde, tive a honra de também adaptar sua obra para a televisão".

Bastidores.

Acostumado a adaptar vários clássicos - Carrasco é responsável por vários clássicos adotados como leitura paradidática em escolas de todo o país, como "Os Miseráveis", de Victor Hugo; e "Romeu e Julieta", de Shakeaspeare, onde ganhou o prêmio Jabuti de Literatura - o autor afirma ter sentido frio na barriga com o convite da editora.

"Lógico que ao receber o convite tive receio. Lobato é um ídolo para mim! Mas, ao mesmo tempo, achei justo que esse grande autor seja levado às crianças de hoje, com o que tem de melhor", disse Carrasco.

A adaptação, segundo ele, foi fruto de um processo "cuidadoso e apaixonado". "Eu me entreguei à Lobato. Amo demais todos os seus livros, e mantive todo o respeito. Lobato, para mim, é eterno"..

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